Governo prevê dificuldade para fechar contas a partir de 2028 e pede R$ 53,7 bi em ajustes
Documento da equipe econômica, de agosto, foi encaminhado ao Congresso Nacional e aponta lacunas nas projeções fiscais até 2030

Governo projeta dificuldade para equilibrar as contas públicas a partir de 2028 e pede ajustes de R$ 53,7 bilhões até 2030.
Para 2027 o documento não prevê déficit; a insuficiência estimada é de R$ 15,8 bilhões em 2028, R$ 14,9 bilhões em 2029 e R$ 23 bilhões em 2030.
A equipe econômica calculou as projeções em agosto e encaminhou o documento ao Congresso Nacional, identificando diferença entre gastos projetados e limites disponíveis para políticas públicas.
O Palácio do Planalto defende um esforço fiscal gradual e contínuo, com alternativas como reavaliação de iniciativas governamentais e repriorização de despesas.
O Ministério do Planejamento pediu cautela na interpretação dos números e afirmou que se trata de um exercício contábil que não significa, necessariamente, descumprimento das regras fiscais.
O levantamento não considera promessas de campanha anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: reajuste do Bolsa Família, pagamento de R$ 5 mil a microempreendedores e gratuidade do transporte público aos domingos — a implementação pode exigir recursos adicionais e novos ajustes orçamentários.
As estimativas apontam crescimento das despesas obrigatórias de 22,8% entre 2027 e 2030, enquanto os gastos discricionários crescem 8% no mesmo período.
Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado demonstraram preocupação com as premissas usadas nas projeções, especialmente em relação ao crescimento do país, à inflação e aos juros.
R$ 53,7 bilhões — total de ajustes necessários até 2030
R$ 15,8 bilhões — insuficiência prevista para 2028
R$ 14,9 bilhões — insuficiência prevista para 2029
R$ 23 bilhões — insuficiência prevista para 2030
R$ 5.000 — proposta de pagamento a microempreendedores
22,8% — aumento projetado das despesas obrigatórias entre 2027 e 2030
8% — crescimento projetado dos gastos discricionários entre 2027 e 2030