Nordeste lidera vendas imobiliárias, mas juros e financiamento travam setor
Evento da CBIC em Recife, nesta sexta (18), apontou Selic em dois dígitos e limites na poupança e FGTS como entraves

Nordeste cresce acima da média nacional nas vendas imobiliárias, mas juros altos e limites no financiamento freiam a expansão.
A taxa de desemprego chegou a 5,3%, a Selic está em dois dígitos e o endividamento das famílias é de 82%, fatores que contrabalançam o avanço regional.
O tema foi debatido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com Sinduscon-PE e Ademi-PE, nesta sexta (18), no Recife; a CBIC manteve projeção de crescimento do PIB setorial de 1,2%.
Ieda Vasconcelos, economista da CBIC, disse que o principal problema é "taxa de juros elevada" e também apontou falta de mão de obra qualificada e não qualificada.
Eduardo Aroeira, presidente da CBIC, afirmou que o Nordeste vendeu cerca de 24 mil unidades residenciais no segundo trimestre, alta de 13,6% frente ao período anterior, contra 5,3% no Brasil; a região foi o segundo maior mercado em unidades vendidas, atrás do Sudeste.
O Minha Casa, Minha Vida responde por cerca de 60% dos lançamentos e 56% das vendas no Nordeste, segundo a CBIC.
Betinha Nascimento, vice-presidente da CBIC e diretora do Sinduscon-PE, apontou o financiamento como desafio; poupança e FGTS somam cerca de R$ 400 bilhões por ano, versus R$ 10 bilhões no início dos anos 2000.
Leonardo Pessoa de Queiroz, presidente da Ademi-PE, disse que o setor fechou o ano passado com quase R$ 400 bilhões em financiamentos entre poupança e FGTS e defendeu diversificar com mercado de capitais.
Betinha citou o programa pernambucano Morar Bem - Entrada Garantida como exemplo de parceria público-privada replicado no Nordeste.
Paulo Wanderley, presidente do Sinduscon-PE, afirmou que o Entrada Garantida estimula produção de novas unidades, gera empregos e enfrenta o déficit habitacional.
José da Silva Aguiar, superintendente técnico da Abecip, alertou para o esgotamento dos recursos da caderneta de poupança (SBPE) e destacou a necessidade de captar no mercado, com ênfase nas Letras de Crédito Imobiliário (LCI): "A LCI tem sido o grande apoio do financiamento imobiliário".
Gabriela Nogueira, diretora executiva do BTG Pactual, recomendou que incorporadores diversifiquem capital via fundos imobiliários e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), com foco em governança corporativa.