DCE transforma UFRGS em palanque para Lula
Entidade estudantil anuncia mobilização pela reeleição do petista e levanta questionamentos sobre doutrinação política na universidade

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRGS assumiu publicamente apoio à reeleição de Lula e anunciou que pretende usar o ambiente universitário para promover debates, mobilizações, aulas públicas e rodas de conversa em defesa da candidatura petista.
Na publicação “UFRGS com Lula”, a entidade declara que “tem lado”, classifica os governos Temer e Bolsonaro como “tempos sombrios” e convoca estudantes para construir uma “UFRGS antifascista”.
É justamente aí que surge uma questão incômoda. Onde termina a legítima atuação política estudantil e começa a tentativa de doutrinação ideológica?
Uma universidade pública deveria ser território da dúvida, do confronto de ideias e da liberdade para pensar diferente. Quando espaços acadêmicos são apresentados como instrumentos de mobilização pela eleição de um candidato específico, o discurso da pluralidade perde força e dá lugar à partidarização.
O DCE tem todo o direito de defender suas posições. Mas a UFRGS não pertence ao DCE, ao PT, à esquerda ou a qualquer outro grupo político. É uma instituição pública, sustentada por brasileiros das mais diferentes convicções.
Se haverá aulas públicas e debates políticos, que também sejam ouvidos conservadores, liberais, centristas e críticos ao governo Lula.
Universidade não deveria ensinar o aluno em quem votar. Deveria ensiná-lo a pensar, questionar e formar suas próprias convicções. Quando a militância tenta substituir essa missão, pluralidade vira discurso e doutrinação passa a ser uma preocupação legítima.