IPTU pode ampliar justiça fiscal e reduzir desigualdades, diz pesquisadora
Claudia M. De Cesare defendeu melhorias no desenho e na gestão do imposto no Diálogos IJF, nesta terça (25).

O IPTU pode promover justiça fiscal, financiar cidades e reduzir desigualdades, disse a pesquisadora Claudia M. De Cesare.
Ela avaliou que a arrecadação brasileira poderia subir para entre 0,9% e 1,25% do PIB com aperfeiçoamentos na administração e no desenho do imposto.
De Cesare falou no evento Diálogos IJF nesta terça (25), mediado por Claudio Graziano Fonseca, secretário-executivo do Instituto Justiça Fiscal.
A pesquisadora destacou que o IPTU é subutilizado e varia muito entre municípios, e que a tributação imobiliária pode promover progressividade e combater a especulação.
Em 2022, 6% dos municípios não arrecadaram IPTU; a receita média foi R$ 310 por habitante, e em metade dos municípios ficou abaixo de R$ 34 por habitante.
A arrecadação média representou 0,27% do PIB municipal, e apenas 250 municípios (4,5%) superaram 1% do PIB municipal em arrecadação do IPTU.
A capacidade administrativa municipal é obstáculo: dos 5.570 municípios, cerca de 20% não têm cadastro de imóveis; cerca de 50% têm cadastro sem georreferenciamento; aproximadamente 20% dispõem de dados georreferenciados.
De Cesare indicou medidas práticas: aperfeiçoar cadastros, atualizar avaliações periodicamente, usar novas tecnologias, integrar bases de dados e manter observatórios do mercado imobiliário.
Ela também defendeu regulamentação nacional para critérios de avaliação, ciclos de avaliação a cada quatro anos, sistemas de transição para evitar distorções e mais investimento em educação fiscal.
O mediador Claudio Graziano Fonseca relatou experiência na prefeitura de Jacareí, citando influência política nos critérios de avaliação que prejudica gestões responsáveis.
A pesquisadora alertou que a recente reforma tributária não ampliou o potencial do IPTU para reforçar a cidadania e a justiça fiscal.
A edição do Diálogos IJF foi transmitida ao vivo e permanece disponível no canal do Instituto Justiça Fiscal no YouTube.