Economia

30% dos municípios brasileiros não têm plano de contingência contra desastres climáticos

Pesquisa aplicou questionário a 2.289 cidades e mostra falta de alertas, planos para ondas de calor e carência de equipes locais.

PRedação Política.SP20 de out. de 2026, 08h01
30% dos municípios brasileiros não têm plano de contingência contra desastres climáticos
Reprodução: agencia.fapesp.br

Pelo menos 30% dos 5.570 municípios não têm plano de contingência para desastres climáticos.

37% dos municípios não dispõem de sistema próprio de alerta; menos de 8% têm plano para ondas de calor.

O estudo foi coordenado por Victor Marchezini, do Cemaden, no projeto COPE financiado pela FAPESP; o questionário foi respondido em 2025 por 2.289 municípios (41% do total).

A metodologia chamada Capacidade de Implementação de Sistemas Locais de Alerta Precoce segue parâmetros da iniciativa global EW4All, criada pela ONU em 2022.

Foram avaliados sete aspectos: equipe e estrutura da Defesa Civil municipal, orçamento, mapeamento de áreas de risco, comunicação, participação social, governança e infraestrutura tecnológica.

A Lei Nacional de Proteção e Defesa Civil de 2012 atribui aos municípios a elaboração de mapas de risco; 57% disseram usar mapas, mas 25% não os possuem.

Apenas 14% das cidades relataram usar cartas geotécnicas de aptidão à urbanização.

Força de trabalho: pouco mais de 13,5 mil agentes de Defesa Civil nos municípios pesquisados; 22% dos órgãos têm um único agente, 16% têm dois, 35% têm três a cinco integrantes, e 25% dos respondentes têm menos de um ano de experiência.

O estudo relaciona esses déficits à recorrência de desastres: 8,9 mil registros em 2024 e 2025, com 2,7 mil estiagens/secas e 2,4 mil chuvas intensas.

8.900 — registros de desastres em 2024 e 2025

24,7 milhões — pessoas afetadas nesse período

1,5 milhão — desalojados e desabrigados

Marchezini afirma que os municípios precisam estruturar sistemas de alerta locais que façam sentido para as populações e incluam idosos e pessoas com deficiência.

O estudo identificou que 69% avaliam sua capacidade de emitir avisos como alta ou média, mas apenas 32% usam um sistema de alerta formal, muitas vezes recorrendo a redes sociais e WhatsApp.

O grupo vai detalhar os resultados por região e porte municipal, promover rodadas com administrações locais e reaplicar a metodologia para monitorar avanços.

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