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Afastamentos por vício em apostas subiram 441% em dois anos

Auxílio por ludopatia passou de 67 beneficiários em 2023 para 363 em 2025; homens e pessoas de 30–49 anos foram os mais atingidos

PRedação Política.SP20 de out. de 2026, 11h31
Afastamentos por vício em apostas subiram 441% em dois anos
Reprodução: iclnoticias.com.br

O número de afastamentos do trabalho por vício em apostas cresceu 441% entre 2023 e 2025, após a regulamentação das bets em dezembro de 2023.

Em 2023 o INSS registrou 67 beneficiários de auxílio por incapacidade temporária por ludopatia; em 2025 o total subiu para 363, segundo levantamento da Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho.

A parcela de contratos formais encerrados entre esses beneficiários passou de 35% em 2023 para 42,5% em 2025; em 2025, 4 em cada 10 beneficiários do auxílio haviam deixado o emprego formal ao fim do ano.

Quase 70% dos beneficiários eram homens, e quase 67% tinham entre 30 e 49 anos.

No primeiro ano de vigência das regras, em 2024, os afastamentos por vício em bets mais que dobraram, chegando a 136 casos.

Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho e autora do estudo, afirmou que não há dados suficientes para provar que as demissões foram causadas pelo vício em jogos, mas disse que “a restrição aos jogos é uma medida que busca recuperar a saúde mental dos brasileiros, em especial dos trabalhadores que, na busca de alguma ajuda financeira, terminam endividados em proporções desesperadoras”.

As casas de apostas foram regulamentadas em dezembro de 2023 e puderam ampliar publicidade; o governo vendeu 85 outorgas por R$ 30 milhões cada, com autorização para explorar a atividade por cinco anos.

As bets foram proibidas no Brasil em 25 de setembro deste ano; até então 43,8 milhões de brasileiros já haviam apostado e, em 2025, foram depositados R$ 220,6 bilhões nas plataformas, com R$ 36,9 bilhões em perdas dos apostadores.

O estudo foi montado com dados do Ministério da Previdência Social e do Ministério do Trabalho e ressalta que há poucos estudos nacionais sobre ludopatia e comorbidades, e que os grupos que acessam o benefício ainda são reduzidos.

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