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Cobertura de mamografia no Brasil é 23,7%, abaixo da meta da OMS

Panorama 2025 mostra desigualdade por raça, atrasos no início do tratamento e 20.339 mortes em 2023.

PRedação Política.SP20 de out. de 2026, 16h31
Cobertura de mamografia no Brasil é 23,7%, abaixo da meta da OMS
Reprodução: drauziovarella.uol.com.br

A cobertura mamográfica no Brasil foi de 23,7%, bem abaixo da meta da OMS de 70% para mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos.

Essa baixa cobertura impediu que milhões de mulheres acessassem tratamento nas fases iniciais, quando as chances de cura são maiores, e contribuiu para 20.339 mortes por câncer de mama em 2023, o maior número da série histórica.

O Panorama do Câncer de Mama 2025, do Instituto Natura com o Observatório de Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, mostra que entre 2015 e 2024 quase meio milhão de novos casos foram notificados no SUS e que as faixas de 50–59 anos (26,5%) e 60–69 anos (24,9%) concentram mais diagnósticos; mulheres de 30–49 anos somaram 31,4% dos casos.

Entre 2023 e 2024, somente 41,7% das mamografias de rastreamento no SUS foram feitas por mulheres negras; mulheres brancas responderam por 46,8%, amarelas 11,5% e indígenas 0,1%.

O SUS realizou 4,4 milhões de mamografias em 2024, sendo 4 milhões de rastreamento em pacientes sem sintomas, número que ainda representa uma fração das mulheres que deveriam ser examinadas.

A legislação determina início do tratamento em até 60 dias após diagnóstico, mas o intervalo chegou a 214 dias em 2023; a jornada inclui laudo, biópsia, confirmação diagnóstica e início do tratamento, e a falha em qualquer etapa anula o benefício da detecção precoce.

O Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama 2025, do Instituto Natura e Avon, registra que 29% das brasileiras têm conhecimento suficiente sobre fatores de risco, sintomas, exames e direitos; entre pardas e negras esse nível chega a 28% e entre brancas a 34%.

Em 2025, o Ministério da Saúde passou a garantir mamografia pelo SUS também para mulheres de 40 a 49 anos mediante decisão compartilhada com o profissional de saúde; mulheres de 40–49 anos representam quase 1/4 dos casos registrados no país.

Organizações médicas — SBM, SBOC, Febrasgo e sociedades americanas — recomendam mamografia de rastreamento entre 40 e 74 anos; Inca e Ministério da Saúde orientam: 40–49 anos sob demanda/decisão compartilhada; 50–74 anos bienal; acima de 74 anos individualizar.

23,7% — cobertura mamográfica no Brasil (meta OMS: 70%)

4,4 milhões — mamografias realizadas pelo SUS em 2024 (4 milhões de rastreamento)

20.339 — mortes por câncer de mama em 2023

214 dias — maior intervalo registrado entre diagnóstico e início do tratamento em 2023

31,4% — casos entre mulheres de 30–49 anos (2015–2024)

"Se uma dessas fases falha, o benefício da detecção precoce se perde", afirma o relatório ao apontar falhas na integração do cuidado.

É necessária uma política nacional que integre todas as etapas do cuidado — rastreamento, diagnóstico, confirmação e início do tratamento — para transformar detecção precoce em redução efetiva de mortes.

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