Deflação de agosto (‑0,32%) aumenta pressão por corte de 0,25 p.p. na Selic
Copom se reúne em 15–16/9; decisão sobre manter os 14% ou reduzir para 13,75% sai na tarde de 16/9

O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, reforçando apostas de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Copom.
A Selic está em 14% ao ano; o Copom começa na terça-feira, 15 de setembro, e o resultado deve sair na quarta-feira, 16/9, às tarde; o mercado projeta Selic em 13,75% ao final de 2026.
O Copom é formado pelos diretores do Banco Central e tem calendário também em 3–4 de novembro e 8–9 de dezembro; o último relatório Focus projeta apenas mais uma redução de 0,25 p.p. neste ciclo, para 13,75%.
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1979, mede variação mensal de preços em cidades que cobrem 90% da população urbana e pesquisa categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde, educação, comunicação e vestuário.
Economista Gabriel Pestana, da Genial Investimentos, afirmou que a deflação de agosto não altera a projeção de inflação anual da Genial (5,0%) e mantém a expectativa de corte de 25 pontos no próximo Copom, com Selic projetada em 13,75% para 2026.
Julio Barros, economista do Banco Daycoval, disse que a deflação era esperada e veio com serviços melhores que o estimado; o banco manteve a expectativa de queda de 0,25 p.p. na reunião de setembro.
O PIB do 2º trimestre cresceu 0,5%, abaixo dos 1,1% do trimestre anterior; o consumo das famílias recuou 0,4% ante crescimento de 0,8% no 1º trimestre — dados que favorecem sinalização de afrouxamento monetário.
A deflação de agosto foi puxada por habitação (‑1,87%), sobretudo energia elétrica residencial (‑7,63%) — queda recorde para um agosto desde 1994 — motivada pelo Bônus de Itaipu; a Aneel distribuiu cerca de R$ 767,2 milhões em agosto via Conta de Comercialização de Energia Elétrica.
Metas e indicadores: a meta de inflação para 2026 é 3,0% com tolerância de ±1,5 p.p. (piso 1,5% e teto 4,5%); IPCA acumulado em 12 meses é 4,22% e no ano (jan‑ago) é 3,11%.
"O número de hoje não muda nossa projeção de 5,0% para 2026, bem como expectativa de corte da Selic em 25 pontos na próxima reunião do Copom", disse Gabriel Pestana sobre a leitura de agosto.
O próximo passo concreto é a reunião do Copom em 15 e 16 de setembro; a decisão sobre manutenção ou corte da Selic sai na tarde de 16/9.