EUA pediram aviso prévio sobre venda de minerais críticos do Brasil
Proposta de Donald Trump exigia notificação prévia e restringia investidores 'não orientados pelo mercado'; Brasil rejeitou as condições.

Os Estados Unidos propuseram receber aviso prévio sobre operações envolvendo ativos de mineração no Brasil.
A demanda fazia parte de condições para flexibilizar tarifas americanas e vinha junto de limitações a investidores classificados como “não orientados pelo mercado”.
A proposta foi apresentada pelo governo de Donald Trump durante negociações comerciais com o Brasil e incluía mecanismos sobre transferência e aquisição de ativos ligados a minerais estratégicos.
No governo brasileiro a expressão “não orientados pelo mercado” foi interpretada principalmente como referência à China, rival dos EUA no controle de cadeias de minerais para tecnologia, energia e defesa.
O Brasil considerou as exigências inaceitáveis e não as incorporou nos termos originalmente apresentados; as conversas ocorreram em meio à escalada de tensões comerciais entre os dois países.
Medidas adotadas pelos Estados Unidos ao longo de 2026 passaram a atingir parcelas relevantes das exportações brasileiras, e dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as novas sobretaxas alcançaram aproximadamente 23,1% das vendas brasileiras para os EUA, tomando como referência o comércio de 2024.
Nesta quarta-feira, 16, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, criando o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos.
A nova legislação cria mecanismos para incentivar pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses recursos dentro do território brasileiro, com instrumentos que podem mobilizar até R$ 7 bilhões para projetos relacionados ao setor.
Minerais críticos e terras raras mencionados na proposta são usados em baterias, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas e tecnologias de defesa, e o Brasil passou a ocupar posição de destaque na disputa entre EUA e China por essas cadeias produtivas.