Lagoinha Global exigia prestação detalhada e retinha 10%–15% das filiais
Documentos mostram controle de receitas, planilhas e extratos; pastor André Valadão disse não gerir finanças locais após doação de R$ 19 milhões por Fabiano Zettel.

Lagoinha Global exigia prestação financeira detalhada das filiais e retinha taxas entre 10% e 15% da receita.
O fato contrasta com a afirmação do pastor André Valadão de que a entidade não administra contas locais e que desconhecia os R$ 19 milhões doados por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, à Lagoinha Belvedere.
A exigência incluía envio de todas as notas fiscais (aluguel a material de limpeza), extratos bancários e planilhas usadas no dia a dia, e detalhamento da arrecadação por culto separado por cartão, pix e dinheiro; havia multa para omissão.
O repasse à chamada convenção Global era calculado após cada culto com base numa "ata de registro" (nome da igreja, culto, dia, horário, discriminação das receitas) e indicava contas no Santander e no Itaú; a ata precisava ser assinada por pastor, tesoureiro e diácono.
Valadão afirmou que Zettel dizia à liderança estar investindo em reformas visíveis na Lagoinha Belvedere e que a Lagoinha Global não recebeu qualquer parte desses recursos.
Em novembro, após surgirem informações públicas envolvendo o "Master", Zettel foi afastado de suas atividades pastorais; em março, após a prisão de Daniel Vorcaro, as atividades da Lagoinha Belvedere foram encerradas.
R$ 19 milhões — valor doado por Fabiano Zettel à Lagoinha Belvedere
10% — porcentagem mencionada inicialmente como retida pela Lagoinha Global
15% — prática apontada de retenção sobre a receita bruta de cada sede
"A Lagoinha Global não administra contas bancárias das igrejas locais, não movimenta seus recursos, não participa da gestão financeira de cada igreja", escreveu André Valadão em postagens com veto a comentários.
A instituição declarou que "não compactua com a ilegalidade" e afirmou não ter interesse em impedir o esclarecimento dos fatos.