Mendonça afasta chefe da PF por 90 dias; crise atinge campanha de Lula
Afastamento ocorre a 25 dias do primeiro turno; AGU pede a Fachin suspensão da decisão.

Ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por 90 dias.
O caso estourou a 25 dias do primeiro turno e ameaça contaminar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mendonça alegou que a PF realizou “monitoramento sistemático e ilegal” por mais de 30 dias; o diretor‑executivo William Marcel Murad assumiu temporariamente o comando da corporação.
A decisão de Mendonça ocorre após o magistrado ter proferido decisões no caso Master envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, elevando tensões no Supremo Tribunal Federal.
A Advocacia‑Geral da União, assinada pelo advogado‑geral Jorge Messias, pediu com urgência que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspenda o afastamento, alegando que a medida viola a prerrogativa do presidente da República de prover cargos de direção da PF e ameaça a continuidade da gestão do órgão.
Integrantes do governo avaliam que as decisões de Mendonça têm motivação eleitoral; o ministro foi indicado ao STF pelo ex‑presidente Jair Bolsonaro.
Andrei Rodrigues está à frente da PF desde 2023 e era considerado homem de confiança do presidente; Lula se reuniu com integrantes da campanha nesta terça no Palácio da Alvorada para discutir reação aos números eleitorais.
25 dias — até o primeiro turno das eleições
90 dias — prazo do afastamento preventivo de Andrei Rodrigues
mais de 30 dias — duração alegada do suposto monitoramento
50% — eleitores que desaprovam o governo, contra 43% que aprovam (pesquisa Quaest)
41% — Lula e Flávio Bolsonaro empatados no segundo turno
36% — Lula no primeiro turno; 29% — Flávio no primeiro turno
Mendonça afirmou haver “monitoramento sistemático e ilegal” da PF por mais de 30 dias ao justificar o afastamento de Andrei Rodrigues.
A AGU pediu a Fachin a suspensão da decisão de Mendonça; o presidente do STF deu prazo de 72 horas para manifestação sobre o caso.