TCU alerta risco financeiro da Infraero após déficit de R$ 1,315 bi em dois anos
Corte projeta perda de R$ 983 milhões por restrição no Santos Dumont e queda do caixa a R$ 441,5 milhões até 2030

O Tribunal de Contas da União alertou nesta 4ª (16.set.2026) para risco de deterioração financeira da Infraero, após déficits consecutivos.
A auditoria registrou prejuízo primário de R$ 540 milhões em 2024 e R$ 775 milhões em 2025, déficit acumulado de R$ 1,315 bilhão em dois anos.
A equipe técnica do TCU projetou que a limitação de 6,5 milhões de passageiros por ano no Santos Dumont reduzirá em R$ 983 milhões o resultado operacional da Infraero entre 2026 e 2030.
O TCU informou que o saldo de caixa da Infraero deve cair para R$ 441,5 milhões ao final de 2030, aumentando a possibilidade de dependência do Tesouro Nacional, embora não haja risco imediato de socorro público.
A auditoria foi aberta depois da inclusão da Infraero entre as nove estatais com dificuldades no 7º Relatório de Riscos Fiscais da União; o relatório avalia situação fiscal e gestão da companhia.
O TCU constatou que a concessão de aeroportos ao setor privado reduziu estruturalmente as receitas da Infraero; em 2011 a estatal administrava 66 aeroportos e, a partir de 2024, passou a operar apenas o Santos Dumont e terminais regionais menores.
No início de 2026 a companhia administrava 22 aeroportos regionais, todos deficitários operacionalmente.
O relator, ministro Benjamin Zymler, afirmou que o problema é estrutural em outras estatais e surge com a “modernização” dos setores, citando os Correios como caso equivalente.
Por unanimidade, o TCU decidiu informar o Ministério de Portos e Aeroportos e a Secretaria do Tesouro Nacional sobre o impacto negativo de aproximadamente R$ 1 bilhão na sustentabilidade da Infraero até 2030.
A Corte não determinou a retirada da restrição do Santos Dumont e recomendou que o Ministério atribua à Infraero terminais não contemplados no Plano Aeroviário Nacional apenas com justificativa técnica e demonstração de interesse público.
R$ 540 milhões — prejuízo primário da Infraero em 2024
R$ 775 milhões — prejuízo primário da Infraero em 2025
R$ 1,315 bilhão — déficit acumulado em 2024–2025
R$ 983 milhões — redução projetada no resultado operacional, 2026–2030
R$ 441,5 milhões — saldo de caixa projetado ao final de 2030
R$ 1,58 bilhão — caixa da Infraero no encerramento de 2025, parcialmente por receitas extraordinárias