Mulheres da agroecologia exigem compromisso com combate à fome nas eleições
No Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), a Articulação Nacional de Agroecologia apresenta 47 propostas para incorporar agroecologia em políticas públicas e orçamentos

Mulheres da agroecologia cobram, neste 16 de outubro, compromisso eleitoral com o combate à fome e a garantia de comida saudável no Brasil.
A ANA lançou em 2026 uma agenda com 47 propostas organizadas em 12 eixos para levar prioridades ao programa de governo e orientar cobrança pós-eleição.
Roberta Cardoso, coordenadora do Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM) e integrante dos grupos Mulheres e Justiça Climática da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), afirmou: “Não existe agroecologia sem democracia nesse país”.
A ANA pede transformar reconhecimento da agroecologia em prioridade política e orçamentária, com orçamento público, participação popular e compromisso com a democracia.
O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2025 com base no triênio 2022–2024; a FAO confirmou em 2026 que a proporção de subalimentação ficou abaixo de 2,5% no triênio 2023–2025.
Roberta apontou desafios: garantir comercialização da agricultura familiar, preços acessíveis para famílias vulneráveis e efetividade do Planaab, do Planapo e do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara).
A ANA defende fortalecer conselhos municipais, estaduais e nacionais e garantir participação efetiva de mulheres negras, indígenas, quilombolas e camponesas na formulação de políticas públicas.
Entre as prioridades da agenda para o próximo período estão democratização do acesso à terra, reforma agrária, proteção de territórios indígenas e quilombolas, redução de agrotóxicos, proteção de sementes crioulas, assistência técnica e financiamento público adequado à agricultura familiar.
A articulação organiza grupos temáticos — mulheres, indígenas, juventude, construção do conhecimento, justiça climática, biodiversidade e comunicação — para sistematizar experiências locais e articular incidência política nacional.
Roberta contrapôs agroecologia e agronegócio como projetos em disputa por terra, recursos, investimento público e controle das políticas públicas; ela criticou financiamento rural orientado a monoculturas e defendeu instrumentos específicos para sistemas diversificados.
A ANA aponta compras públicas (Programa de Aquisição de Alimentos — PAA — e Programa Nacional de Alimentação Escolar — PNAE) como mecanismos essenciais para aproximar produtores e consumidores e consolidar acesso a alimentos agroecológicos.
O próximo passo é levar a agenda de 47 propostas aos programas de governo e cobrar compromissos concretos das candidaturas durante a campanha eleitoral.