Sleeping Giants denunciou viés do X na recomendação de candidatos
A notificação em 20 de agosto de 2026 levou o X a alterar o algoritmo e reacendeu debate sobre regras de recomendação e visibilidade digital

Sleeping Giants notificou em 20 de agosto de 2026 a Procuradoria Geral Eleitoral e a Corregedoria do TSE sobre enviesamento na forma como a plataforma X aplicava a obrigação de não recomendar candidatos.
A notificação resultou em atualização do algoritmo do X para ampliar o número de perfis de candidatos sujeitos ao filtro de recomendação.
O código publicado pela própria empresa mostrou que o X havia bloqueado a recomendação de apenas uma parte dos candidatos, criando tratamento desigual entre concorrentes.
A regra vigente está no artigo 28 § 1º-A da Resolução nº 23.732/2024 do TSE: provedores que usam sistema de recomendação devem excluir dos resultados canais e perfis informados à Justiça Eleitoral e, salvo impulsionamento pago, os conteúdos neles postados.
O debate preocupa porque 72% dos usuários brasileiros relataram acessar informações diariamente por feeds de vídeos curtos, aplicativos de vídeo e feeds de notícias em redes sociais, enquanto 58% usam telejornais, canais 24h e rádios, conforme o Painel TIC lançado em abril de 2026.
A Anatel indica que 30 milhões de brasileiros ficam pelo menos oito dias por mês sem acesso pleno à internet por pacotes limitados, e mais de 60% desse grupo ganham até um salário-mínimo.
Limitar a recomendação orgânica de candidaturas pode tornar a publicidade paga a única forma de gerar visibilidade na internet, e as regras do TSE não estabelecem limite de gastos ou proporcionalidade para anúncios em plataformas digitais.
Surgem propostas para criar um horário eleitoral gratuito digital ou alternativas, como cotas de impulsionamento para candidaturas e regras específicas de recomendação de perfis de candidatos, para garantir visibilidade proporcional no ambiente digital.
É preciso também verificar como funcionam os sistemas de recomendação em outras plataformas cujos códigos não foram publicados, para assegurar cumprimento das regras atuais e evitar apagões informacionais.