Estudo detecta fraudes sistêmicas no Provão Paulista
Pesquisa da Rede Escola Pública e Universidade aponta classes e escolas inteiras com resultados atípicos no exame da Seduc-SP

Pesquisa da Rede Escola Pública e Universidade (Repu) identificou fraudes sistêmicas no Provão Paulista, exame da Seduc-SP para alunos do ensino médio.
O Provão Paulista serve para avaliar escolas, bonificar ou punir educadores e selecionar estudantes para USP, Unicamp, Unesp, Univesp e Fatecs.
A pesquisa examinou a variação das notas dos mesmos alunos ao longo de três anos do ensino médio e encontrou classes e escolas inteiras com resultados atípicos, não apenas casos isolados.
Denúncias na última edição incluíram vazamento do tema da redação, fotos de provas circulando em redes sociais, relatos de cola e fiscais fornecendo respostas; a Seduc-SP classificou como "ocorrências pontuais de indisciplina".
O estudo encontrou que irregularidades ocorreram na rede estadual, mas não nas escolas técnicas e municipais que também participaram do Provão Paulista.
Os autores apontam que a plataforma de ensino e o uso banalizado de celulares em avaliações facilitaram a manipulação, e citam a Lei de Campbell para explicar distorções quando indicadores quantitativos decidem salários e vagas.
3 anos — período de acompanhamento das notas dos mesmos alunos
Fernando Cássio (Faculdade de Educação da USP), Leonardo Crochik (IFSP) e Ewout ter Haar (Instituto de Física da USP) assinam o estudo e explicam que a pesquisa não identifica quem fraudou nem como, mas afirma que a fraude foi recorrente.
O edital do Provão Paulista 2026 já foi lançado pelo governo do Estado de São Paulo, e cabe ao governo tomar todas as medidas necessárias para garantir que o processo seja justo e confiável.