O governo federal anunciou veto às operações das bets no Brasil, abrindo caminho para rescisões e disputas judiciais.
Juristas avaliam que contratos milionários serão suspensos e extintos, e clubes podem ajuizar ações contra a União para ressarcimento de perdas; empresas também devem buscar reparação por outorgas e lucros cessantes.
Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos informaram que não vão se pronunciar; a CBF também ficou em silêncio após negociar naming rights com a Betano. O Grêmio assinou contrato com a bet Pitaco na quarta (23) e disse que aguardará os desdobramentos a partir da publicação da medida pelo governo. Flamengo e Fluminense emitiram comunicados antes do anúncio: o Flamengo afirmou que "o fenômeno das apostas esportivas não vai acabar com uma canetada"; o Fluminense alertou que clubes que firmaram contratos não podem ser surpreendidos de um dia para o outro.
O especialista José Frederico Cimino Manssur afirmou que contratos de patrocínio normalmente têm cláusulas de rescisão em caso de revogação da lei e que "os contratos serão automaticamente suspensos e extintos"; ele acrescentou que clubes que anteciparam valores deverão restituir as bets. Marcelo Robalinho previu que clubes buscarão socorro do governo federal para equacionar endividamento, por exemplo via alongamento do pagamento de tributos.
Em 2025, o patrocínio das bets à Série A somou R$ 1,03 bilhão, alta de 66% sobre os R$ 618 milhões de 2024, mas representou apenas 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões dos clubes da elite; o Flamengo recebia contrato estimado em R$ 268 milhões, cerca de 13,6% das suas receitas de R$ 1,973 bilhão em 2025.
— R$ 1,03 bilhão — total de patrocínios das bets à Série A em 2025
— R$ 618 milhões — patrocínios das bets em 2024
— R$ 14,3 bilhões — receitas totais dos clubes da elite em 2025
— R$ 268 milhões — valor estimado do contrato do Flamengo com a Betano (13,6% das receitas)
Clubes e empresas devem avaliar perdas e, em seguida, ajuizar ações; paralelamente, as entidades mensurarão o impacto financeiro e negociarão eventuais medidas de alívio com o governo.
Fonte: Jornal Mais Brasil · Leia no site →