Lula quer levar urna eletrônica ao mundo e convidou estrangeiros para as eleições
Em entrevista nesta quinta (17), o presidente disse que o Brasil tem o processo eleitoral mais seguro e atacou a 'bandalheira' em outros países

Lula afirmou que a urna brasileira é "o processo eleitoral mais seguro, sabe, do mundo", e disse querer introduzir o voto eletrônico em todos os países para acabar com a "bandalheira eleitoral".
A declaração foi dada em entrevista nesta quinta (17), a menos de três semanas do primeiro turno de outubro, e incluiu convite para estrangeiros acompanharem a votação brasileira.
A entrevista ocorreu na Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, com transmissão ao vivo no canal do presidente no YouTube; Lula comparou o sistema brasileiro ao norte-americano, afirmando que "o Trump, se tivesse utilizado o processo brasileiro, não teria problema de ficar esperando vários dias para saber o resultado eleitoral".
O presidente disse estar "muito tranquilo" com o pleito e descreveu a rapidez da apuração: afirmou que a votação termina às 18h e o resultado sai às 20h; a votação nas eleições brasileiras se encerra às 17h, no horário de Brasília, e Lula já havia citado anteriormente o fim às 17h e o resultado às 19h.
Na quarta (16), no Palácio do Planalto, durante encontro com lideranças evangélicas do Brasil, dos Estados Unidos e de Cuba, Lula chamou Donald Trump de amigo e disse: "Eu já disse inclusive ao meu amigo Trump, não se meta nas eleições brasileiras, que esse é um problema do povo brasileiro. E não duvide das urnas brasileiras".
Lula também disse que a própria trajetória confirma a confiança no sistema: "A prova mais contundente que eu tenho de que a urna brasileira é a mais séria do mundo é que se ela pudesse roubar, o Lula não seria presidente da República três vezes".
Em 4 de setembro, em entrevista à Rádio Progresso, em Juazeiro do Norte (CE), Lula afirmou ter tratado do tema por telefone com Trump e ter dito: "Nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições e, se entrar, vai perder".
A ideia de exportar o modelo já apareceu em junho, na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, França, quando Lula sugeriu que a ONU adotasse o sistema eletrônico; na ocasião ele conversou com Kristalina Georgieva e o chanceler Friedrich Merz. A versão desta quinta usou vocabulário de campanha.
Lula convidou estrangeiros para acompanhar a votação na convenção do PDT, em 20 de julho, e disse que o secretário de Estado americano Marco Rubio poderia vir apoiar seu adversário desde que respeitasse a soberania. Na prática, o credenciamento de observadores é feito pelo Tribunal Superior Eleitoral: apenas Organização dos Estados Americanos, Rede dos Organismos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da CPLP, União Europeia e União Interamericana de Organismos Eleitorais participam do pleito; o Eurolat Global Democracy Forum teve pedido recusado.
Em 25 de julho, o governo barrou a entrada de representantes norte-americanos que planejavam agenda ligada às eleições; o Planalto diferenciou missão de observação eleitoral de reunião política com integrantes de governo estrangeiro.
O debate sobre observadores retomou-se após encontro de Flávio Bolsonaro com diplomatas em 21 de julho, quando o senador defendeu ampliação do número de observadores e citou a empresa Smartmatic; o TSE contestou a afirmação, dizendo que a Smartmatic não fornece urnas nem softwares para as eleições brasileiras.
Dados e datas relevantes:
17 de agosto — entrevista de Lula à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte
16 de agosto — encontro no Palácio do Planalto com lideranças evangélicas
20 de julho — convenção do PDT em que Lula convidou estrangeiros
25 de julho — governo barrou entrada de representantes dos EUA
21 de julho — encontro de Flávio Bolsonaro com diplomatas
4 de setembro — entrevista em Juazeiro do Norte citada por Lula
"Tem uma coisa que eu quero fazer, é convidar todo mundo para vir à eleição brasileira", disse Lula ao propor introduzir o voto eletrônico em todos os países e combater a "bandalheira eleitoral".
O próximo passo é o primeiro turno, em outubro, que terá observação e credenciamento definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral.