ELEIÇÕES 2026Faltam 13 diasCandidatos →
InícioEconomia
Economia

43 empresas estrangeiras deixaram o Brasil entre maio de 2015 e setembro de 2026

EUA lideram as saídas (16), seguidos por Reino Unido (6) e Japão (4); motivos vão de reestruturação a custos locais.

Redação POLITICA.SP19 de set. de 2026 · 10h040 acessos📲 Enviar no WhatsApp
43 empresas estrangeiras deixaram o Brasil entre maio de 2015 e setembro de 2026
Reprodução: www.poder360.com.br

Pelo menos 43 empresas ou grupos empresariais estrangeiros deixaram o Brasil entre maio de 2015 e setembro de 2026.

Negócios dos EUA lideram o total com 16 saídas; Reino Unido tem 6; Japão 4; Alemanha 3; França 3; Espanha, Colômbia e Suíça 2 cada; China, Holanda, Índia, Israel e México 1 cada.

A lista inclui companhias dos setores automobilístico, alimentação, eletrônicos, varejo de beleza e moda, medicamentos, cimento, louças e metais; o levantamento considera empresas que encerraram produção, fecharam fábricas ou venderam negócios no país.

Dezessete saídas ocorreram no período da pandemia de covid-19, que prejudicou a economia nacional e afetou vendas e operações de várias empresas.

Há casos em que empresas atribuíram a saída a reestruturação global, revisão de portfólio, problemas financeiros ou mudanças na estratégia; outras citaram altos impostos, custo Brasil, custo de importação e preço do dólar.

Casos concretos: a Ford saiu em 2021 citando ambiente econômico e efeitos da pandemia; a Mercedes-Benz deixou o país no ano anterior também por queda nas vendas e alta do dólar; a Sony encerrou operações em 2020 mencionando o “ambiente de mercado”; a Holcim vendeu seu negócio em 2021 para a CSN para “concentrar em países com moeda forte e mais rentabilidade”.

A Lush saiu pela segunda vez em 2018 e disse que "a alta carga tributária e a prolongada recessão econômica, somados à instabilidade política, tornou impossível" continuar; a Eventbrite encerrou operações em dezembro de 2025 criticando o "cenário regulatório em constante mudança".

Varejo e startups também saíram: o Walmart vendeu seus negócios no Brasil em 2019 após não adaptar a estratégia “preço baixo todo dia” ao consumidor local; a Forever 21 deixou o país em 2022 depois de 8 anos, citando impostos e custos de importação; a Glovo saiu em 2019 após 1 ano por competir em mercado extremamente concorrido.

O economista Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e da FGV, afirma que decisões de saída somam fatores como juros elevados, alto custo de capital, legislação trabalhista com litigância e complexidade tributária, e avalia que a reforma tributária pode melhorar o cenário a partir de 2030: "Quando ela tiver plenamente operando, menos empresas sairão e acho que empresas virão para cá".

Pessôa recomenda que o próximo governo ataque juros elevados e aumente a produtividade do trabalho para tornar o Brasil mais atraente a investimentos.