80% dos focos no Amazonas estão em imóveis rurais privados; queimadas explodem após 4 de outubro
Inpe registrou 1.639 focos entre 1º e 15 de outubro; maioria em propriedades com CAR e fogo cresce após o 1º turno

Oito em cada dez focos de fogo no Amazonas ocorreram em imóveis rurais privados com Cadastro Ambiental Rural.
Entre 1º e 15 de outubro o satélite do Inpe registrou 1.639 focos; 79,1% estavam em propriedades privadas cadastradas.
Os incêndios têm aumento a partir de 4 de outubro, dia do 1º turno das eleições, depois de focos iniciados em setembro.
O Amazonas enfrenta seca reforçada pelo El Niño; Manaus acumulou 104 mm de chuva desde julho, contra 316 mm esperados, e agosto terminou sem chuva registrada (média 56 mm).
Autoridades apontam ação humana criminosa: o Ibama flagrou garrafas com combustível em estradas, aplicou R$ 2 milhões em multas e embargou áreas; Polícia Civil do Amazonas abriu mais de 120 procedimentos criminais; Polícia Federal e Abin investigam.
A maior parte dos incêndios ocorre em áreas já desmatadas: 52,8% em áreas desmatadas nos últimos três anos, 30,6% em áreas abertas há mais tempo e 15,9% em vegetação nativa.
Os dados sobre desmatamento mostram 3.335 km² derrubados no período de agosto de 2025 a julho de 2026, enquanto o fogo é usado para limpar áreas já desmatadas ou renovar pasto.
"Nós já autuamos aqui nessa região próxima a Manaus 19 pessoas nessa última semana. R$ 2 milhões de multa e mais de 250 hectares embargados", declarou o presidente do Ibama, Jair Schmitt.
As investigações continuam: Ibama, Polícia Civil, Polícia Federal e Abin seguem fiscalizações e ações de combate para identificar autores e evitar avanço do fogo em áreas protegidas.