A inflação climática é o ponto cego das campanhas para 2026
Desastres e perdas econômicas exigem que candidatos convertam discursos climáticos em política industrial e economia circular.

A inflação climática — choques por eventos extremos já embutidos no preço do alimento, energia e seguros — é o ponto cego das campanhas para 2026.
É a primeira eleição geral após o Brasil sediar a COP 30, em Belém; o País firmou compromissos globais que agora exigem tradução em políticas públicas e indústria.
Em 2024 mais de 1 milhão de pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas por enchentes e deslizamentos, seguidas pela pior seca em 70 anos; em 2025 outros 336 mil brasileiros foram afetados por eventos extremos.
Esses números representam choques de oferta, destruição de capital e aumento do custo de vida, e tornam insuficiente prometer apenas mais painéis solares e eólicas como solução.
O texto aponta que o Brasil perde bilhões em resíduos eletrônicos, sucata tecnológica e desperdício industrial, e defende Economia Circular, Mineração Urbana e logística reversa para reinserir materiais nas cadeias produtivas.
O país reúne vantagens competitivas: matriz elétrica majoritariamente limpa, base industrial passível de atualização e biodiversidade ímpar — falta intencionalidade política para conectar essas vantagens.
"O combustível do futuro não é apenas uma nova matriz de energia. É a capacidade de não desperdiçar o que já foi extraído", diz Marcelo Souza, presidente do Instituto Nacional de Economia Circular, CEO da Indústria Fox Economia Circular e professor da PUC Campinas.
Nas próximas semanas, ele recomenda filtrar plataformas eleitorais não só por promessas de preservar a Amazônia, mas por propostas concretas de economia circular, mineração urbana e reinserção de materiais na indústria.