Abin vê extrema‑direita brasileira como facilitadora de ofensiva dos EUA
Relatórios internos classificam o risco de interferência americana nas eleições como “crítico”; agrément para embaixador indicado segue pendente

A Abin classifica como “crítico” o risco de interferência e influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
O relatório foi entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Polícia Federal (PF) e integra uma série de documentos produzidos desde novembro de 2025.
O embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Cabrera, aparece em vídeo no canal do Departamento de Estado no YouTube em 13 de agosto de 2026 dizendo: “Agora, a América tem a oportunidade de estabelecer uma nova ordem”.
A Abin monitora discursos de figuras da extrema‑direita brasileira que, nas análises, funcionariam como “facilitadores” dos interesses americanos, incluindo políticos com mandatos e influenciadores digitais.
Fontes da agência indicam que o interesse dos EUA no Brasil inclui a extração de terras raras; mais de 20% das reservas mundiais estariam no solo brasileiro.
No início do mandato, Donald Trump assinou um decreto para acelerar a produção de minerais críticos e reduzir dependência da China; o decreto afirma: “Minerais críticos são essenciais para a prontidão militar americana, já que eles são componentes‑chave de jatos, satélites, submarinos, bombas e sistemas de mísseis guiados”.
A embaixada dos EUA no Brasil procurou o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcanti (RJ), para que ele recebesse dois enviados do Departamento de Estado, Riley Bernes e Samuel Samson; o Itamaraty negou os vistos aos enviados.
O indicado de Donald Trump para a embaixada no Brasil, Daniel Perez, teve o nome aprovado pelo Senado americano em 7 de agosto, mas não pode assumir sem o agrément do Brasil; o Itamaraty ainda não deu aval.
Ações de políticos ligados a Trump também avançaram em 2026: Marco Rubio convocou 66 países em 16 de julho para um projeto contra o que chamou de “terrorismo de extrema esquerda”; em 22 de setembro, 14 países latino‑americanos do “Escudo das Américas” assinaram um acordo para impor sanções ao PCC e ao Comando Vermelho.
Em 22 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, declarou na abertura da Assembleia Geral da ONU: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.