Agronegócio pede políticas de Estado em ano de eleições
Setor que responde por cerca de um quarto da economia e movimenta R$ 1,4 trilhão ao ano enfrenta dívidas, custos altos e barreiras comerciais.

O agronegócio precisa de políticas de Estado, não só medidas de governo pontuais, dizem autores da coluna.
A discussão é urgente porque estamos em ano de eleições gerais no Brasil e o setor responde por cerca de um quarto da economia brasileira e por superávits comerciais relevantes.
O financiamento e as operações comerciais relacionados ao agronegócio movimentam cerca de R$ 1,4 trilhão por ano.
O setor enfrenta aumento de pedidos de recuperação judicial e renegociações forçadas de dívidas, além de problemas climáticos, preços mais baixos das principais commodities e custos elevados de insumos.
Há ainda barreiras tarifárias e não tarifárias, desglobalização, reconfiguração geopolítica e mudanças nas cadeias globais de fornecimento de insumos que desafiam a previsibilidade do setor.
Alguns negócios só devem recuperar margens e capacidade de reinvestimento daqui a duas ou três safras.
Políticas públicas estruturadas sustentaram o crescimento dos últimos 50 anos: Estatuto da Terra (década de 1960), criação da Embrapa (início da década de 1970), Cédula de Produto Rural (CPR, 1994), Lei de Política Agrícola (1991) e instrumentos financeiros como o sistema privado de financiamento a partir de 2004; Fiagro e CPR Verde foram criados em 2021.
A articulação dessas políticas ajudou a produzir tecnologia no "antes da porteira" e a projetar a mensagem de sustentabilidade do Brasil para eventos como a COP30.
R$ 1,4 trilhão — movimentação financeira anual ligada ao agronegócio
1/4 da economia — participação aproximada do setor na economia brasileira
2–3 safras — prazo estimado para recuperação de margens em alguns negócios
9,5 bilhões — população mundial prevista pela FAO para 2050, referência para políticas de segurança alimentar
A hora é agora: às vésperas das eleições para Executivo e Congresso Nacional, o debate sobre transformar medidas em políticas de Estado precisa entrar na agenda pública.