Beneficiários do Bolsa Família preencheram 85,18% das vagas formais desde jan/2023
Levantamento da CEEE‑FGV mostra 4,58 milhões de contratações entre beneficiários e questiona a tese de desincentivo ao trabalho

Beneficiários do Bolsa Família ocuparam 85,18% das vagas formais criadas no Brasil entre janeiro de 2023 e julho de 2026.
O resultado — 4,58 milhões de contratações de um total de 5,38 milhões de vagas formais — refuta a ideia de que programas de transferência de renda desincentivam o trabalho, afirma o economista Valdemar Pinho Neto.
O estudo do Centro de Estudos Empíricos em Economia da FGV (CEEE‑FGV), assinado por Valdemar Pinho Neto e Luiz Gustavo Barbosa, cruzou dados do Caged, das folhas de pagamento do Bolsa Família e do CadÚnico; o recorte abrange pessoas com 14 anos ou mais e usa o saldo líquido de empregos (admissões menos desligamentos).
No período analisado houve 91,8 milhões de admissões e 86,4 milhões de desligamentos; do total, 4,58 milhões estavam associados a beneficiários do Bolsa Família.
A maioria dos novos empregados beneficiários é jovem, parda, mulher e com ensino médio completo: faixa 18–24 anos concentrou 40,52% do saldo positivo; 30–39 anos, 20,97%; pardos, 62,71%; brancos, 27,32%; pretos, 8,81%; mulheres, 55,4%; ensino médio completo em 78,24% do saldo.
Regiões Norte e Nordeste puxaram a inserção: em Maranhão a participação chegou a 117,42% e em Sergipe a 104,04% (em alguns estados beneficiários compensaram saldos negativos entre não beneficiários); as menores participações foram no Distrito Federal (50,07%), Santa Catarina (58%), Roraima (63,71%) e Paraná (64,55%).
Além dos 4,58 milhões de beneficiários, 1,26 milhão de trabalhadores formais estavam no CadÚnico sem receber o benefício; o grupo sem cadastro teve saldo negativo de 460,6 mil vagas, ponto que pode refletir maior mobilidade no mercado de trabalho.
A pesquisa não avalia por quanto tempo as pessoas permaneceram no Bolsa Família nem se o empregado é o titular do benefício; a chamada "regra de proteção" permite manter metade do benefício enquanto a renda per capita da família ficar abaixo de R$ 706, e a extrema pobreza é definida em R$ 218 por pessoa.
"A crítica de que os beneficiários do Bolsa Família não querem trabalhar não é válida de acordo com os números", declarou Valdemar Pinho Neto, um dos autores do estudo.