Brasil amplia gasto em ciência, mas ainda investe só 1,2% do PIB
Investimentos em C&T subiram para R$ 88,9 bilhões em 2024; especialistas pedem 2% do PIB e financiamento contínuo

Pesquisadores brasileiros sequenciaram o genoma do novo coronavírus em 48 horas no início de 2020, disse a pesquisadora Jaqueline Goes da USP.
Os investimentos em ciência e tecnologia (C&T) alcançaram R$ 88,9 bilhões em 2024, e os gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) somaram R$ 72,9 bilhões, dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação de 2024.
A pandemia de covid-19 matou mais de 700 mil pessoas no Brasil e motivou uso imediato dos resultados, como explicou Jaqueline Goes sobre aplicação em vacinas, testes e tratamentos.
Instituições públicas como o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolvem vacinas e produtos de saúde com apoio público; o Butantan criou vacina contra a dengue após décadas de pesquisa, segundo Esper Kallás.
O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) teve orçamento estimado de cerca de R$ 900 milhões em 2020 e R$ 6,4 bilhões em 2024, um aumento de aproximadamente 611% no período.
Há também financiamento via CNPq, Capes, fundações estaduais como a FAPESP, ministérios (Defesa e Minas e Energia), estados, municípios e empresas privadas.
Especialistas afirmam que o investimento precisa ser contínuo: “Se há uma decisão para cancelar tudo, você perde uma quantidade enorme de anos para retomar”, disse Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.
O Brasil investe cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto em ciência; a média da OCDE é 2,7%, nos Estados Unidos é 3,44% e na Coreia do Sul supera 5%.
Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências, defende meta de 2% do PIB para P&D; Sérgio Luiz Monteiro Salles-Filho, da Unicamp, lembra que o Brasil está entre a 14ª e 15ª posição mundial em produção científica.