Brasil tem energia renovável e perde chance de atrair data centers
Consumo de energia dos data centers pode dobrar até 2030; barreiras fiscais e de licenciamento travam investimentos.

A demanda global por data centers pode dobrar o consumo de energia até 2030, e o Brasil tem vantagens energéticas únicas.
Mais de 85% da matriz elétrica brasileira vem de renováveis, enquanto o setor global de tecnologia investiu centenas de bilhões de dólares só no primeiro trimestre nos Estados Unidos.
A inteligência artificial redesenha a demanda por infraestrutura digital; data centers exigem energia limpa, barata e em escala, e países sem essa oferta ficarão de fora da corrida.
O Brasil dispõe de sol, vento, água e território em abundância, mas enfrenta o Custo Brasil: carga tributária de até 35% para esse tipo de operação, reconhecida pelo Ministério da Fazenda.
Nos Estados Unidos, investimentos bilionários ficaram travados por oposição local, embates no Congresso e suspensão de obras; capital pronto procura destinos alternativos.
O licenciamento no Brasil pode levar anos, gerando incerteza de três a cinco anos que afasta investidores com capital em dólar e sensíveis a risco jurídico.
Um relatório da The Economist apontou saldo positivo de empregos nos EUA por causa da IA, com geração superior a um milhão de vagas, da construção de data centers à engenharia.
Rodrigo Villa Real Mello, economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais, alerta que o Brasil precisa decidir se quer participar dessa avenida de capital de longo prazo; "O trem está passando na nossa frente".
O país precisa colocar o tema na agenda nacional e decidir medidas fiscais e regulatórias que acelerem a atração de investimentos em data centers.