Brigadeiro: satélites do Brasil são insuficientes para defesa
Sandro Bernardon alertou no Congresso Latinoamericano de Satélites, no Rio, e pediu ampliação rápida da infraestrutura espacial

A atual capacidade de comunicações por satélite do Brasil é insuficiente para defesa, afirmou o brigadeiro do ar Sandro Bernardon nesta quarta, 30, no Congresso Latinoamericano de Satélites, no Rio de Janeiro.
Na Operação Atlas, na Amazônia no ano passado, a utilização da banda X do SGDC-1 chegou a 97%, mostrou Bernardon, e por isso o satélite atual “não é suficiente”.
Bernardon relatou que a Telebras enfrenta saturação na banda Ka e que o Ministério da Defesa usa a banda X do SGDC-1; por isso houve um RFI para o futuro SGDC-2, com participação da Defesa e requisitos militares.
A Telebras pretende contratar o SGDC-2 em 2027 e iniciar a construção até 2029, e Bernardon disse que o ideal é ter “um contrato assinado até o ano que vem”.
A posição orbital de 57º Oeste tem um filing da Telebras até 2030 e outro de caráter militar até 2031; Bernardon avisou do risco de perder essa posição sobre o território brasileiro.
Para observação da Terra, o tempo de revisita dos satélites SAR usados pela Defesa é hoje de 3,5 dias por área; a meta é reduzir para pelo menos 24 horas e adquirir uma frota própria de satélites ópticos.
Bernardon citou o SatVHR, primeiro satélite óptico de altíssima resolução projetado no País, liderado pela Visiona (Embraer+Telebras) e financiado pela Finep.
O brigadeiro alertou para maior ocupação da órbita terrestre baixa entre 700 km e 1.000 km, disse que satélites da Defesa fazem manobras semanais para evitar detritos e citou a Starlink com mais de 10.000 satélites; a SpaceX pediu nos EUA autorização para até 100.000 satélites Gen3.
97% — uso da banda X do SGDC-1 na Operação Atlas
57º Oeste — filing da Telebras até 2030; filing militar até 2031
3,5 dias — tempo de revisita atual dos satélites SAR
24 horas — meta mínima de revisita
10.000+ — satélites da Starlink, segundo Bernardon
100.000 — pedido da SpaceX para constelação Gen3 nos EUA
“Ainda há um caminho longo de refinar requisitos operacionais, técnicos, logísticos e industriais”, disse Bernardon ao defender prazos e contratos.
Próximo passo: avançar no RFI do SGDC-2, concluir refinamento de requisitos e fechar contrato — objetivo de assinatura “até o ano que vem”; contratação prevista para 2027 e início da construção até 2029.