Cardozo: sem reforma política, próximo presidente enfrentará grave crise de governabilidade
Ex-ministro cita dependência entre Executivo e Legislativo e defende voto distrital misto e semipresidencialismo

O próximo presidente poderá enfrentar graves dificuldades de governabilidade se o Brasil não aprovar uma reforma política ampla.
Cardozo diz que o atual modelo eleitoral e o orçamento impositivo tornam o presidente dependente do Congresso, citando o governo de Jair Bolsonaro e a influência do Centrão.
José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça, falou ao programa Link TMC que o problema é estrutural e independe da orientação ideológica do presidente.
Ele defendeu o voto distrital misto, inspirado na Alemanha, para combinar representação partidária e mandato ligado a distritos, e disse já ter defendido a mudança antes de deixar as eleições proporcionais.
Cardozo também propôs a adoção do semipresidencialismo, com chefe de Estado e chefe de governo, como forma de oferecer mais estabilidade ao país.
Ele recuperou a ideia de uma constituinte exclusiva para reformar o sistema político, proposta discutida no governo Dilma Rousseff e barrada quando Eduardo Cunha presidia a Câmara.
Cardozo afirmou que, sem mudança estrutural, a crise de governabilidade atingirá qualquer presidente eleito, lembrando que o problema não é exclusivo de Lula.