Cuidado vira pauta de desenvolvimento após aprovação da Política Nacional de Cuidados
O reconhecimento em 2024 transforma o cuidado em direito; eficácia depende de financiamento, metas e coordenação entre entes públicos

O cuidado foi reconhecido como direito na Política Nacional de Cuidados, aprovada em 2024, e passa a integrar a agenda de desenvolvimento.
A lei exige financiamento contínuo, articulação entre União, estados e municípios e metas que transformem diretrizes nacionais em serviços acessíveis nos territórios.
O cuidado organiza a vida cotidiana: permite que crianças cheguem à escola, idosos sigam tratamentos e pessoas com deficiência exerçam autonomia, e torna possível que milhões trabalhem, estudem e produzam.
No Brasil, o trabalho de cuidado recai majoritariamente sobre mulheres, especialmente mulheres negras, e permanece tratado como responsabilidade privada das famílias.
Mulheres negras representam cerca de 28% da população brasileira e têm renda domiciliar média de aproximadamente R$ 1.402, segundo o Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, do Ipea.
Apenas 14% das mulheres negras concluem o ensino superior; mais de 2,8 milhões são analfabetas e aproximadamente 11,4 milhões não concluíram o ensino fundamental.
No mercado de trabalho, a Pnad Contínua do IBGE mostra que, em 2023, 3,6 milhões de mulheres pretas ou pardas estavam fora da força de trabalho, contra 1,5 milhão de mulheres brancas.
Em 2025, 70% das famílias acompanhadas pelo Instituto C eram autodeclaradas pretas ou pardas, retratando a vulnerabilidade social atravessada por raça, gênero e renda.
A concentração do trabalho de cuidado em um grupo reduz produtividade, impede a formação profissional de mães e aumenta custos para saúde, assistência e Previdência.
Fortalecer o cuidado amplia oportunidades: quando mulheres recuperam autoestima, acessam direitos e encontram redes de apoio, surge autonomia econômica sustentável.
Dados do Instituto C em 2025 mostram: • 95% das famílias ampliaram o acesso a direitos e serviços públicos • 82% desenvolveram maior autonomia • 78% fortaleceram a autoestima • 87% ampliaram a rede de apoio • 81% adotaram hábitos alimentares mais saudáveis • 66% aumentaram participação escolar de crianças e adolescentes • 42% registraram aumento de renda, com crescimento médio de 105%.
A sequência dos resultados indica que fortalecimento da autonomia precede a melhoria de renda, reforçando a necessidade de integrar a economia do cuidado às políticas de desenvolvimento.