Ciência precisa virar política permanente em Minas para as eleições de 2026
SBPC-MG pede financiamento estável à FAPEMIG, assento da entidade no conselho e integração entre universidades, indústria e governo

A comunidade científica de Minas defende transformar ciência e inovação em política de Estado permanente antes das eleições de 2026.
Isso exigirá garantia de repasses estáveis à FAPEMIG, assento permanente da SBPC-MG no conselho curador e metas orçamentárias claras.
Pedro Luiz Teixeira de Camargo, secretário regional da SBPC em Minas Gerais e docente do IFMG, afirma que Minas abriga ampla rede de universidades, institutos federais, UEMG, UNIMONTES e centros de pesquisa, mas enfrenta desigualdades territoriais e dependência de atividades primário-exportadoras.
As candidaturas incluíram propostas sobre ensino em tempo integral, educação profissional, valorização docente, recuperação da aprendizagem e uso de tecnologia educacional, além de referências ao fortalecimento das universidades estaduais e da FAPEMIG.
Algumas plataformas defendem planejamento de longo prazo para ciência, estímulo a compras públicas para soluções locais, formação de polos regionais de inovação e ações em inteligência artificial, bioeconomia, transição energética, saúde e minerais críticos.
O texto Vozes da Ciência — O Brasil que Queremos, da SBPC, reúne 117 propostas que pedem ciência, tecnologia e inovação como pilares de desenvolvimento, soberania tecnológica, enfrentamento das mudanças climáticas e fortalecimento da educação e das universidades.
A exploração de minerais estratégicos e críticos é vista como oportunidade para pesquisa, beneficiamento e industrialização, condicionada à articulação entre política mineral, política industrial, universidades e fiscalização ambiental.
O debate ressalta diferenças regionais que exigem descentralização: Vale do Jequitinhonha, Norte de Minas, Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Triângulo, Sul de Minas e regiões mineradoras precisam de investimentos e infraestrutura científica própria.
"Transformar a ciência em política permanente de Estado" é o desafio apontado pela SBPC-MG para que conhecimento enfrente problemas sociais, ambientais e econômicos.
As eleições de 2026 são a oportunidade para perguntar às candidaturas qual lugar reservam ao conhecimento na construção do futuro de Minas Gerais.