Confrontos isolados após marchas deixam 320 mil nas ruas da França
Protestos de 31 de outubro reuniram estudantes, sindicatos e Coletes Amarelos; polícia usou gás lacrimogêneo em várias cidades

Confrontos isolados ocorreram em Paris e em outras cidades francesas ao final das manifestações de 31 de outubro, dia do Halloween.
A participação caiu para 320 mil manifestantes em todo o país, incluindo 70 mil em Paris, ante 410 mil na semana anterior e 550 mil em 17 de outubro.
A polícia de choque avançou contra pequenos grupos no fim da marcha em Paris; forças lançaram gás lacrimogêneo em Lyon e Toulouse, e houve tensões em protestos não autorizados em Marselha e tentativas de separação de grupos em Bordeaux.
O Supremo Tribunal Administrativo manteve a proibição da marcha entre as praças da Nação e da Bastilha, autorizando um percurso pelas avenidas da zona leste de Paris.
O líder da extrema esquerda Jean‑Luc Mélenchon marchou à frente da manifestação em Paris; estudantes, sindicatos e um contingente dos Coletes Amarelos participaram das marchas.
O manifestante Jérôme Rodriguez disse em Paris: “A economia francesa está indo mal... somos governados por um grupo de incompetentes”, e o estudante de 15 anos Aaron Berthier, de Nogent‑sur‑Marne, afirmou que participava do terceiro fim de semana seguido de protestos.
O ministro do Interior Laurent Nunez prometeu impedir nova violência como a de 17 de outubro e alertou que a polícia pode proibir o uso de máscaras quando a ordem pública estiver ameaçada; verificações em estações e rodovias acharam objetos passíveis de uso como armas.
A agitação ocorre com a dívida pública perto de 120% do PIB e a agência Fitch revisando a perspectiva da dívida para negativa, enquanto a Câmara de Comércio estima perdas ao varejo superiores a 1 bilhão de euros, com outras estimativas chegando ao dobro quando se incluem danos não segurados e receitas perdidas.
Os protestos franceses inspiraram manifestações de jovens pela Europa, com atos em cidades alemãs e na Itália, e a Embaixada dos EUA aconselhou viajantes a evitarem áreas previstas para manifestações.
As mobilizações começaram em setembro com estudantes reclamando da deterioração das escolas, salas superlotadas e sistema de admissão universitária; desde então sindicatos e o movimento dos Coletes Amarelos se juntaram às reivindicações e o governo minoritário de Emmanuel Macron negocia o orçamento de 2027.