Copom alerta desde janeiro para risco da política fiscal do governo
Ata de 22/9 diz que crédito subsidiado pode elevar juros estruturalmente e dificultar controle da inflação.

Copom alerta desde janeiro para os riscos da política fiscal do governo.
Em todas as seis reuniões de 2026 o comitê tratou o fiscal como cenário de risco; a ata mais recente foi divulgada em 22/9.
O comitê afirma que medidas da área econômica, como concessão de crédito subsidiado, podem elevar juros estruturalmente e dificultar o controle da inflação.
O Banco Central cita como exemplo linhas de crédito para motoristas, incluindo o Move Brasil, que prevê R$ 30 bilhões para renovação de frota, e programas como o Reforma Casa Brasil.
O Copom diz que o estímulo ao consumo pode elevar permanentemente o nível de juros, reduzir a eficácia da política monetária e prejudicar o controle da inflação.
O Comitê de Política Monetária define a Selic; é formado pelo presidente do BC e pelos diretores; reúne-se a cada 45 dias para votar a taxa.
Em janeiro o Copom sinalizou início de cortes quando a Selic estava em 15% ao ano; na semana passada reduziu juros de 14% para 13,75% ao ano.
13,75% — Selic após corte da semana passada
14% — Selic antes do corte
4,22% — inflação acumulada em 12 meses
4,9% — projeção de inflação do Ministério da Fazenda para o fim de 2026
3% — meta de inflação; banda de tolerância de +/-1,5 ponto, teto em 4,5%
R$ 30 bilhões — valor previsto para o Move Brasil
6 — número de reuniões em 2026 em que o fiscal foi tratado
"O Comitê mantém a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas", afirmou o Copom na última comunicação.
O próximo passo é acompanhar a evolução dos cenários antes de novas indicações sobre cortes ou alta da Selic; o último comunicado foi em 16 de setembro.