Corumbá e Ladário passam a ter clima 'subúmido seco' no Plano Nacional
Reclassificação consta no PAB-Brasil (2025-2045), lançado em junho de 2026, e aponta aumento da aridez no Pantanal sul-mato-grossense.

Corumbá e Ladário (MS) foram reclassificadas como clima subúmido seco no Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil, 2025-2045).
Essa reclassificação atualiza o mapa climático para a bacia do Rio Paraguai, com dados analisados para o período 1990–2020.
O PAB-Brasil, lançado em junho de 2026, é o principal instrumento de planejamento, gestão e monitoramento da Política Nacional de Combate à Desertificação para os próximos 20 anos.
A classificação subúmido seco (índice de aridez entre 0,5 e 0,65) já havia sido registrada antes apenas no interior do Nordeste, ao norte de Minas Gerais e no noroeste do Espírito Santo.
Uma nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) junto ao Cemaden, divulgada em 2023, também mostrou aumento da aridez na região de Mato Grosso do Sul.
O índice de aridez é a razão entre chuva acumulada e evapotranspiração potencial; quanto menor, mais seco o clima, e os pesquisadores aplicaram esse cálculo à bacia do Rio Paraguai.
Corumbá tem cerca de 96.334 habitantes e abriga mais de 2,1 milhões de cabeças de gado; Ladário é enclave de Corumbá e fica a cerca de 6 quilômetros do centro urbano de Corumbá.
Pesquisadores vinculados a estudo de 2023 registraram queda média anual de precipitação no Cerrado de 64,8 milímetros entre 1991–2021 em relação a 1960–1990, e cerca de cinco dias de chuva a menos por ano.
0,2 — limite abaixo do qual o clima é classificado como árido
0,2–0,5 — faixa do semiárido
0,5–0,65 — faixa do subúmido seco, onde Corumbá e Ladário passaram a se enquadrar
96.334 — população aproximada de Corumbá, segundo o IBGE
2,1 milhões — cabeças de gado no rebanho de Corumbá
36,7 milhões de hectares — perda de vegetação nativa no Cerrado entre 1990 e 2020, segundo o módulo Desmatamento do MapBiomas
“O sistema de alta pressão está ficando cada vez mais fortalecido, mais forte, e está se expandindo mais para o sul”, disse o geógrafo Gabriel Hofmann sobre o anticiclone do Atlântico Sul e a redução de chuvas.
O próximo passo é usar o PAB-Brasil (2025-2045) para orientar ações de recuperação socioambiental, redução de vulnerabilidades e fortalecimento da resiliência das populações afetadas nos próximos 20 anos.