Daqui a nove dias mais de 150 milhões vão às urnas nas Eleições 2026
Além da disputa nacional, a SBPC pressiona: a ciência precisa estar nas propostas estaduais e alcançar territórios desigualdades

Daqui a nove dias, mais de 150 milhões de brasileiras e brasileiros estarão aptos a ir às urnas nas Eleições 2026.
Eles vão escolher a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado, a Câmara dos Deputados, as assembleias legislativas e a Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Francilene Garcia, presidente da SBPC, assina editorial que abre uma série sobre o Observatório das Eleições 2026 voltada aos estados e à presença da ciência nos programas de governo.
Na Amazônia, a agenda científica envolve biodiversidade, mudanças climáticas, água, soberania, saúde, bioeconomia e saberes indígenas, enquanto universidades têm dificuldade para atrair e fixar pesquisadores.
Em Roraima, a representante da SBPC no estado aponta problemas de infraestrutura e pouca presença da agenda ambiental nas campanhas.
Em Mato Grosso do Sul, os debates incluem incêndios, recursos hídricos, biodiversidade, produção agropecuária, bioeconomia, transição energética, populações indígenas e fronteiras.
Em Minas Gerais, com ampla rede de universidades e institutos, a questão é usar capacidade científica para agregar valor aos minerais estratégicos, gerar empregos qualificados e enfrentar impactos ambientais, além de levar investimentos ao Vale do Jequitinhonha, Norte de Minas e Vale do Rio Doce.
Em São Paulo, onde a Fapesp é a principal fundação de amparo à pesquisa e o estado respondeu por cerca de 31,5% do PIB brasileiro em 2023, a conselheira da SBPC Vanderlan Bolzani pede aproximação do Ensino Médio à universidade e pesquisa e redução das desigualdades educacionais territoriais.
O editorial destaca a desigualdade estrutural do Brasil: coeficiente de Gini de 0,55; o 1% mais rico concentra 25% da renda; metade da população fica com 9% da renda.
O caderno Vozes da Ciência reúne 117 propostas que tratam de soberania tecnológica e sanitária, mudanças climáticas, biodiversidade, segurança alimentar, democracia, equidade, educação, universidades e saúde pública; um dos sete eixos é dedicado a Equidade, Diversidade e Justiça Social.
Na Paraíba, a análise regional identificou propostas de polos e distritos de inovação, computação e inteligência artificial, bolsas de formação tecnológica, compras públicas, apoio a startups e fortalecimento da infraestrutura científica, mas notou ausência de informações claras em muitos programas.
Encerrado o processo eleitoral, começará a etapa de acompanhar o que será feito com os programas e compromissos apresentados pelos governos eleitos.