Elite financeira aproxima-se do outsider Renan Santos nas eleições de 2026
Executivos da Faria Lima e ex-dirigentes financeiros já endossam o candidato do Missão, mirando além de 2026.

Parte da elite financeira, incluindo gestores da Faria Lima, passou a apoiar o outsider Renan Santos nas eleições de 2026.
A cientista política Mércia Alves diz que esse apoio busca criar “uma nova infraestrutura política” para disputar o comando da direita em 2030, mesmo sem vitória em 2026.
Renan Santos recebeu apoio de José Olympio Pereira (ex-CEO do Credit Suisse e do Safra e ex-presidente da Fundação Bienal de São Paulo), do ex-diretor do Banco Central Tony Volpon e do gestor João Landau, filho de Elena Landau, diretora de privatizações do BNDES no primeiro governo FHC.
Mércia Alves, professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e pesquisadora do Cebrap, afirma que a atração vem da combinação entre radicalismo político e convergência econômica, traçando paralelo com Jair Bolsonaro em 2018 e o papel de Paulo Guedes como ponte com o mercado.
Diferente de 2018, Renan tenta apresentar a agenda econômica como parte de sua identidade política e não depender de um “ponte” como Guedes.
O programa de Renan mistura promessa de ajuste fiscal profundo com propostas duras de segurança, como intervenção federal em estados e referências ao chamado “direito penal do inimigo”.
Um gestor próximo à candidatura chegou a justificar publicamente que, se o país chegou ao limite, seria necessário um ajuste radical e uma mobilização social, mostrando que parte da elite passa a interpretar o radicalismo como coragem política.
Mércia alerta que, para certos grupos econômicos, direitos humanos e proteção social ficam em segundo plano diante da agenda econômica, e que a normalização de medidas excepcionais é o risco político central.