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Em Santos, mulheres são 55% do eleitorado enquanto teorias contra o voto feminino viralizam

Nas nove cidades da Baixada Santista, eleitoras são maioria (52% a 55%); advogado e leis válidas barram tentativas de tutela do voto

Redação POLITICA.SP4 de out. de 2026 · 18h330 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Em Santos, mulheres são 55% do eleitorado enquanto teorias contra o voto feminino viralizam
Reprodução: www.juicysantos.com.br

Em Santos, há 193.123 eleitoras — 55% do total; nas nove cidades da Baixada Santista as mulheres representam entre 52% e 55% do eleitorado.

Movimentos estrangeiros que pregam o "voto familiar", onde o chefe da casa decidiria o voto, ganharam alcance nas redes sociais e difundem a ideia de que o voto feminino foi um erro.

A advogada Ana Maria Pena R. Coelho, mestre em Direito Internacional e professora da São Judas Unimonte, afirma que a Constituição assegura a liberdade de expressão, mas impõe limites quando o discurso ataca a igualdade, a honestidade das eleições ou o poder do povo de escolher.

Ana Maria diz: "Ninguém pode utilizar a liberdade de expressão como escudo para descumprir a lei." Ela lembra que o voto é secreto e que o Código Eleitoral pune quem violar esse segredo, impedindo marido, pai ou filho de controlar o voto.

A Constituição inclui cláusulas pétreas que protegem o voto direto, secreto, universal e periódico; por isso debatê-lo como direito retirável fere os direitos fundamentais, segundo a professora.

O país já conta com instrumentos legais: a Lei 14.192/2021 criou crimes de violência política contra a mulher, e a Justiça Eleitoral atua contra desinformação e ofensas que incitem discriminação, além de possibilitar punir injúria, calúnia e difamação.

Demandas prioritárias das eleitoras da região incluem segurança, saúde, creche, transporte e renda; a professora destaca que falta educação para os meninos aprenderem a cuidar desde a infância, reduzindo a dupla jornada das mulheres.

Sobre representação, em 2026 as mulheres somam 34,85% dos registros de candidatura (7.165 nomes), mas ocupam apenas 16% das cadeiras no Congresso; Ana Maria defende punição a dirigentes que forçam candidaturas de fachada e igualdade de gênero nas direções partidárias para garantir disputa real.

193.123 — eleitoras em Santos (55% do eleitorado)

52%–55% — participação feminina nas nove cidades da Baixada Santista

34,85% (7.165) — porcentagem e número de candidaturas femininas registradas em 2026

16% — proporção de cadeiras ocupadas por mulheres no Congresso

A professora aponta que, para transformar representatividade em poder real, partidos e Justiça precisam aplicar sanções e promover paridade nas lideranças partidárias.