Emendas para investimentos caem de 85% em 2015 para 31,2% em 2026
Parcela destinada a custeio subiu de 15% para 68,8%; ministério da Saúde teve queda de 76,1% para 5,5%.

A fatia de emendas do Congresso destinada a investimentos caiu de 85% em 2015 para 31,2% em 2026.
A parcela direcionada à manutenção de programas e outras despesas subiu de 15% em 2015 para 68,8% em 2026, afetando áreas como saúde.
Os dados vêm do Siop (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento), acessados em 17 de setembro de 2026, e mostram migração de emendas de longo prazo para custeio.
No Ministério da Saúde, a parcela de emendas destinada a investimentos passou de 76,1% em 2015 para 5,5% em 2026.
O PRD e o Novo registram as maiores porcentagens de emendas para investimentos; PV e PSol têm os menores percentuais.
Um consultor aposentado da área de Orçamento na Câmara afirmou que há dúvidas sobre a eficácia de obras pulverizadas por emendas e que seria melhor investir em grandes projetos, como ferrovias, em vez de muitos centros comunitários; ele disse ainda que "é uma distorção mais grave do que quando as emendas eram maciçamente para investimentos".
José Roberto Afonso, economista e professor do IDP e da Universidade de Lisboa e um dos criadores da Lei de Responsabilidade Fiscal, afirmou que emendas para investimento impulsionam mais a economia que custeio e que prefeituras e estados deveriam arcar com despesas de manutenção.
As chamadas "emendas Pix" têm problema adicional de falta de transparência, porque por serem transferências a fiscalização federal fica mais difícil.
Um estudo de 2025 da Consultoria de Orçamento da Câmara identificou tendência de migração das emendas de investimento (GND 4) para custeio (GND 3) e registrou que, em 2023 e 2024, mais da metade das emendas de comissão foi direcionada a custeio.
85% — parcela de emendas para investimentos em 2015
31,2% — parcela de emendas para investimentos em 2026
15% — parcela para outras despesas em 2015
68,8% — parcela para outras despesas em 2026
76,1% → 5,5% — investimento em saúde, 2015 para 2026
As emendas são alterações no Orçamento da União feitas por deputados e senadores para direcionar recursos a obras, serviços e programas, apresentadas individualmente ou por bancadas e comissões.