Escudo das Américas usa combate às drogas para frear influência da China, dizem especialistas
Coalizão de 15 países quer levar proposta à OEA para classificar 24 grupos, incluindo PCC e CV, como "terroristas".

Escudo das Américas usa a luta contra cartéis para intervir na América Latina e reduzir a influência econômica da China.
O grupo de 15 países pretende apresentar à OEA uma proposta para ação conjunta e possível resolução ministerial sobre narcoterrorismo.
A coalizão, liderada pelos Estados Unidos e formalizada em março, reúne EUA, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
Na 81ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, os 15 países divulgaram documento que classifica 24 grupos narcotraficantes, entre eles o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como "terroristas".
O professor Danilo Enrico Martuscelli, da UFU, chamou a política do segundo mandato de Donald Trump de "agressão imperial aberta" e questionou o indulto a Juan Orlando Hernández.
O professor Robson Valdez, do IDP, disse que o principal objetivo do Escudo das Américas é justificar intervenções e pressionar aliados a rever relações com a China.
O documento também liga combate às drogas a medidas de cooperação econômica e à proteção de cadeias de suprimento de minerais críticos, foco da disputa entre Washington e Pequim.
O governo brasileiro, não convidado para a iniciativa, observa a coalizão com cautela, mantém cooperação contra o crime e aguarda a proposta na OEA para decidir apoio ou rejeição.
"Assim que a reunião formal do Órgão de Consulta da OEA for convocada, pretendemos participar em nível ministerial", afirmam os países, sinalizando o próximo passo formal.
15 — países que integram a coalizão
24 — grupos narcotraficantes que o bloco quer classificar como "terroristas"
1947 — ano do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) citado no documento