Esteves diz que eleição será 51% a 49% e pede PEC em novembro
Chairman do BTG prevê voto “virtualmente empatado”, defende ajuste fiscal, juros mais baixos e alerta para risco institucional

A eleição presidencial será 51% a 49%, e “a gente só não sabe para quem”, afirmou André Esteves nesta 2ª (14.set.2026) no seminário Brasil Hoje, em São Paulo.
Ele afirmou que pequenas variações e o número de eleições estaduais decididas no 1º turno poderão alterar o resultado, citando impacto sobre a abstenção e dizendo que o likely vote está “ligeiramente favorável à direita”.
Esteves é chairman do BTG Pactual e falou no seminário promovido pelo Esfera Brasil, em São Paulo, nesta 2ª (14.set.2026), ao dizer que o padrão observado nas 3 últimas eleições presidenciais se repete agora.
Na avaliação dele, o Brasil já tem condições econômicas melhores para uma transição, mas falta chegar a “juros civilizatórios”: hoje a Selic está em 14% e, para ele, reduzir para 7% é possível com ajuste fiscal.
Ele afirmou que o ajuste fiscal deve combinar corte de despesas e medidas de receita sem aumentar a carga tributária, citou revisão de títulos isentos e maior eficiência do gasto público como medidas viáveis.
Esteves pediu que o próximo governo apresente uma “PEC de transição” em novembro, durante a formação do novo governo, para iniciar a agenda econômica antes de janeiro.
Ele classificou como “negacionismo econômico” a crença em alternativa ao ajuste das contas públicas e defendeu responsabilidade fiscal como caminho para juros menores.
O principal risco, segundo Esteves, é institucional: a disputa pela preservação das instituições preocupa mais que a batalha econômica e é decisiva para dar segurança a investimentos e ao setor privado.
Sobre investimento, Esteves disse que o Brasil hoje está perto de 16% e que, com juros menores, previsibilidade e regulação técnica, o setor privado pode passar para 20%.
"Esse juro de 14% é sufocante para qualquer empresa, incluindo bancos", afirmou Esteves no seminário.
Próximo passo: apresentar a PEC de transição em novembro, começar medidas de ajuste fiscal e buscar aprovação no Congresso durante a formação do novo governo.