Fachin oscila entre decisões duras e recuos; futuro depende da mídia
Votos decisivos na Lava Jato, liberação de Rocha Loures e anulação das condenações de Lula marcam trajetória do ministro

Luiz Edson Fachin alternou decisões duras na Lava Jato com recuos e decisões que reverteram condenações de Lula, e seus próximos passos dependerão da pressão da mídia.
A anulação das condenações de Lula devolveu ao ex-presidente a elegibilidade para disputar as eleições de 2022; em paralelo, Fachin já autorizou a libertação de Rodrigo Rocha Loures, filmado em 28 de abril de 2017 recebendo R$ 500 mil de Ricardo Saud, da JBS.
Fachin esteve seis vezes como “quase indicado” antes da nomeação ao Supremo Tribunal Federal e, antes da posse, participou de evento na PUC-SP em defesa do mandato de Dilma Rousseff, onde insistiu para discursar no palco.
Em campanha pela indicação, visitou parlamentares em seus estados acompanhado pelos irmãos da JBS; depois da posse, recusou pedido de habeas corpus de uma advogada conterrânea por uma liderança camponesa ameaçada de morte no Centro-Oeste.
No julgamento que admitiu prisão após condenação em segunda instância — que abriu caminho para retirar Lula das eleições de 2018 — Fachin foi apontado como ghostwriter do voto de Rosa Weber, decisivo na formação da maioria.
A libertação de Rodrigo Rocha Loures é seguida da observação de que Loures é filho de um ex-presidente da Federação das Indústrias do Paraná; episódio semelhante com Joesley Batista e Aécio Neves resultou na prisão de Andréa Neves e no afastamento de Aécio do Senado.
Críticos o descrevem como avesso a riscos, extremamente zeloso da própria segurança pessoal e profissional e disposto a agir apenas quando pressionado; seus movimentos futuros, segundo essa leitura, variam conforme a cobertura midiática.
6 — vezes em que Fachin foi “quase indicado” antes da nomeação
28 de abril de 2017 — data em que Rocha Loures foi filmado
R$ 500 mil — valor entregue a Rocha Loures por Ricardo Saud, da JBS
"Se os fatos me desmentirem, agradecerei. E direi que Deus ainda é brasileiro.", frase final do autor que conclui a análise sobre Fachin.
Se a mídia continuar sustentando os abusos de André Mendonça, Fachin tenderá a ceder; se a pressão for por um realinhamento no Caso Master, ele poderá acompanhá-la, e, quando a controvérsia do Dark Horse esquentar, deverá postergar decisões esclarecedoras.