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Goldman: dólar pode ficar entre R$ 4,50 e R$ 5,80 após eleição

Banco diz que o gatilho será o compromisso do governo com o ajuste fiscal, não só o nome do vencedor

Redação POLITICA.SP24 de set. de 2026 · 06h338 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Goldman: dólar pode ficar entre R$ 4,50 e R$ 5,80 após eleição
Reprodução: www.seudinheiro.com

Goldman Sachs projeta que o dólar pode variar entre R$ 4,50 e R$ 5,80 depois das eleições.

A consequência concreta: se o governo futuro sinalizar compromisso fiscal, o banco estima dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,80; se o mercado entender que o ajuste não vai andar, o dólar pode voltar a R$ 5,80, com um patamar intermediário de R$ 5,40.

Nesta quarta-feira (23), o dólar à vista fechou a R$ 5,1682, alta de 1,28% no dia; no mês acumula queda de 0,23% e, no ano, baixa de 5,84%.

O modelo do Goldman separa efeitos globais e específicos do Brasil e atribui as variações do real a preços de commodities, juros e risco-país; o banco calcula que o prêmio de desconfiança embutido no real foi de cerca de 19% em dezembro de 2024 e hoje está em 5,3%.

No cenário market-friendly, R$ 4,80 seria o nível com o prêmio de desconfiança zerado; R$ 4,50 é o piso plausível desse cenário; um cenário muito otimista, comparado à eleição colombiana, apontaria R$ 4,35 — referência pouco provável, diz o banco.

Se o prêmio voltar ao nível de setembro de 2024 (por volta de 10%), o dólar chegaria a cerca de R$ 5,40; o pior cenário, reproduzindo o pico de dezembro de 2024, levaria a moeda a R$ 5,80.

O banco descreve o quadro macro: déficit fiscal nominal acima de 9% do PIB, o maior em 25 anos; déficit primário perto de 0,7% do PIB; e que seria necessário superávit entre 2% e 3% do PIB para estabilizar a dívida pública.

O Goldman afirma: "não é a vitória de um ou outro candidato, isoladamente, que vai definir o preço do dólar — e sim as decisões de política econômica tomadas depois da eleição".

Historicamente, o banco lembra que em 2014 e 2022 o dólar teve movimentos fortes logo após o primeiro turno e depois reverteu antes do segundo; em 2018 o real ficou mais forte na sexta anterior ao segundo turno, quando houve clareza sobre a agenda de reformas.

Próximo passo: o primeiro turno ocorre em 4 de outubro; um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro, e os anúncios de equipe econômica e sinais de reforma após as votações devem definir o rumo do câmbio.