Governo exige não intervenção externa nas eleições, a dois dias do 1º turno
Representante brasileiro na OEA criticou a “paz pela força” e pediu respeito à soberania nacional, termo usado por Lula

O governo exigiu que não haja interferência externa nas eleições, dois dias antes do 1º turno.
A declaração ocorreu nesta 6ª feira, 2.out.2026, durante consulta sobre a Nicarágua na OEA, e vem um dia após Donald Trump dizer que acompanha “bem de perto” as eleições brasileiras.
Ricardo Belli, representante permanente do Brasil na OEA, criticou a “paz pela força” frequentemente invocada por Trump e rejeitou atividades de países externos em processos eleitorais; ele falou que classificar “atividades extra-regionais” como malignas abre espaço para interpretações políticas.
Belli repetiu a frase de Luiz Inácio Lula da Silva dita na Assembleia Geral da ONU, afirmando que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, e declarou que sem princípios de soberania haverá “mais caos e instabilidade”.
O episódio sucede uma série de sinais de atuação intervencionista dos EUA na região: em janeiro o Brasil condenou a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro; em julho o ministro das Relações Exteriores afirmou que os EUA poderiam intervir militarmente no Brasil sob pretexto de combater o PCC e o CV, cenário que o Itamaraty considerou capaz de abrir precedentes.
Em 25 de setembro Lula afirmou que Trump “está fazendo a aposta de que ele vai ser dono da América Latina”, e também disse que Trump perderia se “metesse a mão” no pleito, discurso alinhado à ênfase de sua campanha na soberania nacional.