Governo Lula avalia positivo que Trump não citou o Brasil na ONU
O silêncio de Trump veio após o discurso de Lula na 81ª Assembleia Geral, em Nova York, em 22/9; Brasil preparou fala preventiva.

O governo considerou positivo que Donald Trump não tenha mencionado o Brasil no discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 22/9.
A estratégia do Palácio foi preparar um discurso de Lula como “vacina” para antecipar defesas caso os EUA citassem o país; o governo também avaliou como relevante a declaração conjunta do Escudo das Américas sobre facções.
Trump comparou cartéis ao Estado Islâmico, afirmou que, desde que retornou à Casa Branca em 2025, autorizou o Exército dos EUA a “eliminar” esses grupos e declarou: “Não são boas pessoas. São inimigos em guerra com a civilização.”
O presidente dos EUA criticou o México, chamando-o de “epicentro” da ação dos grupos armados, e disse que o governo de Claudia Sheinbaum precisa “imediatamente retomar o controle de seu território.”
Trump também citou intervenção na Venezuela, que prendeu Nicolás Maduro, e afirmou que os EUA “aniquilaram” o comando da facção Tren de Aragua.
No discurso anterior, Lula defendeu cooperação internacional contra o crime organizado, ressaltou soberania e rejeitou “terceirizar” controle de fronteiras ou bases militares: “Não precisamos de porta-aviões em nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime.” Em seguida, Lula afirmou: “Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos.”
Tradicionalmente o representante do Brasil fala antes do anfitrião; desta vez Lula discursou e Trump falou logo em seguida, mas os dois não se encontraram nos corredores da ONU, e não houve pedido de reunião bilateral.
O Brasil não participa do Escudo das Américas, coalizão formada pelos EUA, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
24 — número de organizações listadas pelo documento do Escudo das Américas.
O texto do grupo prevê congelamento de bens, restrições de vistos e responsabilização criminal para quem der apoio material às organizações listadas.
Lula teve antes da fala uma reunião breve com o secretário-geral António Guterres; na segunda-feira, 21/9, recebeu o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
Depois do discurso na terça, Lula embarcou de volta ao Brasil no início da tarde.