Governo Lula vê Escudo das Américas como brecha para influência dos EUA
Declaração assinada por 15 países na ONU em 22.set.2026 é lida no Planalto como porta de entrada para reclassificar minerais, big techs e presença chinesa como ameaça

O governo Lula avalia que a declaração do Escudo das Américas, assinada por 15 países em 22.set.2026 na Assembleia Geral da ONU, abre brecha para ampliar a influência dos EUA na região.
A consequência concreta, na leitura do Planalto, é que a mesma lógica usada contra o crime organizado pode ser aplicada a minerais críticos, infraestrutura digital e presença chinesa, reclassificando esses temas como ameaças à segurança dos EUA.
O documento, divulgado em Nova York, tem três eixos: econômico, de segurança e de coordenação multilateral; no trecho econômico os signatários se comprometem a proteger cadeias de suprimento de minerais críticos com base em "fontes diversificadas e confiáveis".
O governo interpreta que enquadrar o crime organizado como ameaça aos EUA cria precedente para Washington pedir controle sobre minerais estratégicos — o Brasil tem a 2ª maior reserva de terras-raras do mundo, atrás da China — e também para limitar presença chinesa em portos e ferrovias.
Durante negociações sobre tarifas, os EUA pediram ao Brasil medidas para restringir investimentos estrangeiros em minerais críticos, sobretudo chineses, e a Casa Branca enviou em 15.set.2026 ao Congresso relatório que acusa o governo Lula de falhar contra PCC e CV.
No Planalto, há ainda a leitura de que os EUA querem um resultado eleitoral favorável à direita no Brasil; citam pressão comercial americana, articulação de Flávio Bolsonaro com autoridades dos EUA e declarações sobre o pleito como sinais de interferência.
Autoridades brasileiras ressaltam que não há, nos documentos públicos, menção a ação militar contra o Brasil ou vizinhos e avaliam que o instrumental provável é diplomático e financeiro — sanções, bloqueio de bens e restrição de vistos — não intervenção armada.
Horas antes da divulgação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na abertura da Assembleia Geral que o Brasil tem instrumentos próprios contra o crime organizado, citou a Lei Antifacção e a operação Carbono Oculto, afirmou que "não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas" e afirmou ter levado proposta a Donald Trump, ainda sem resposta.
No plenário da ONU, Lula conversou com José Antonio Kast (Chile), Rodrigo Paz (Bolívia) e Irfaan Ali (Guiana); todos assinaram a declaração do Escudo das Américas.
22.set.2026 — data da assinatura do Escudo das Américas, em Nova York
15 — número de países signatários
3 — eixos do documento: econômico, segurança e coordenação multilateral
2ª — posição do Brasil em reservas de terras-raras, atrás da China
15.set.2026 — data do relatório da Casa Branca ao Congresso que criticou ação do governo contra PCC e CV
O próximo passo anunciado pelos EUA é pedir ao Conselho Permanente da OEA uma reunião de consulta com base no Tratado do Rio (Tiar), processo que deve levar semanas ou meses.