Grandes petrolíferas dos EUA ficam de fora do acordo que dá controle de campos venezuelanos
A exploração ficará com a desconhecida Nabep; governo dos EUA terá 35% da empresa e direito sobre 20% da produção

EUA e Venezuela anunciaram, no fim de agosto, acordo que entrega aos EUA controle majoritário de 17 campos, com cerca de 65 bilhões de barris.
Como consequência concreta, a North American Blue Energy Partners (Nabep), registrada em Barbados, ficará responsável pela exploração; o governo dos EUA terá 35% da Nabep e direito preferencial de comprar 20% da produção a preço de custo.
Nem a ExxonMobil, nem a ConocoPhillips, nem outras grandes petrolíferas americanas integram o acordo; apenas a Chevron assinou acordo separado para aumentar produção venezuelana para 600 mil barris por dia em cinco anos, com investimento previsto de cerca de US$ 7 bilhões, financiado pelos lucros locais.
A Nabep não tem histórico público de operações anteriores e enfrenta questionamentos sobre capacidade operacional; a empresa espera investimentos de cerca de US$ 100 bilhões para desenvolver os campos.
Os 65 bilhões de barris representam 21,5% das reservas comprovadas da Venezuela e equivalem a 141% das reservas americanas; a Venezuela tem mais de 300 bilhões de barris de reservas comprovadas.
A produção venezuelana caiu de mais de 3 milhões de barris por dia em 1998 para pouco mais de 1 milhão atualmente; para recuperar 3 milhões bpd seriam necessários cerca de US$ 100 bilhões em aproximadamente oito anos, segundo Luis Pacheco, do Instituto Baker.
Darren Woods, presidente-executivo da ExxonMobil, afirmou que "as estruturas jurídicas e comerciais e os marcos regulatórios" da Venezuela tornam o país inviável para investimentos sem mudanças e garantias permanentes.
Dennis Nuss, diretor de Comunicação da ConocoPhillips, disse que decisões sobre investimentos dependerão da estabilidade econômica e regulatória, segurança, respeito ao Estado de Direito e mecanismos para recuperar dívidas pendentes.
Na raiz do afastamento, há dívidas e expropriações antigas: ConocoPhillips obteve arbitragem que determinou US$ 8,7 bilhões; a ExxonMobil recebeu decisões favoráveis que somam cerca de US$ 984,5 milhões, com estimativa de pagamento de pelo menos US$ 907 milhões pela Venezuela.
Em janeiro, a Assembleia Nacional venezuelana aprovou reforma parcial da Lei de Hidrocarbonetos para atrair investimento privado; ConocoPhillips segue tentando executar decisões arbitrais para receber valores devidos.