Guarulhos destina R$ 3,2 milhões da Aldir Blanc a um único programa e artistas reclamam
Dos R$ 7 milhões recebidos, R$ 3,2 milhões vão para o Programa Movimento Cultural; setor questiona prioridades e processo.

Guarulhos vai aplicar R$ 3,2 milhões da PNAB no Programa Movimento Cultural, que receberá R$ 4 milhões no total.
O município recebeu R$ 7 milhões da Política Nacional Aldir Blanc para uso na cultura.
A gestão do prefeito Lucas Sanches (PL) lançou o Programa Movimento Cultural com nove edições entre agosto e dezembro de 2026.
O programa terá atividades em Pimentas, São João, Presidente Dutra, Fortaleza, Cabuçu, Bonsucesso, Central e Cumbica; serão selecionados dois projetos por território.
Do total de R$ 4 milhões do programa, R$ 3,2 milhões são da PNAB e R$ 846.335,28 são recursos próprios do município.
Produtores e artistas reclamam da mudança no Plano de Aplicação de Recursos, alegando que a versão discutida no primeiro semestre de 2026 foi aprovada no Ministério da Cultura.
O novo PAR foi apresentado ao Conselho Municipal de Política Cultural em julho de 2026, e o Movimento Cultura Guarulhense alega que houve reformulação das prioridades.
A educadora e artista multimídia Janaína Reis, 37, afirma: "Eles tiraram a verba para editais diretos, reduziram a verba para formação e concentraram o dinheiro numa única ação."
O conselheiro Roman Lopes, 57, presidente do Conselho Municipal de Política Cultural, criticou o formato, o sigilo de processos no Portal da Transparência e a publicação de chamamentos antes da homologação no Ministério da Cultura.
Dois editais abertos chamaram atenção: o Edital nº 005/2026, para oficinas culturais, com R$ 300 mil, e o Edital nº 006/2026, para oficinas em áreas periféricas, também com R$ 300 mil.
Os chamamentos 005 e 006 criam um banco de profissionais credenciados, com remuneração prevista de R$ 60 a R$ 80 por hora/aula e oficinas de até seis meses.
Artistas dizem que o modelo não contrata imediatamente: "Você não está contratando, você está só credenciando", afirma Janaína Reis.
Enquanto novos editais são lançados, equipamentos históricos seguem fechados: o Teatro Nelson Rodrigues está fechado há mais de três anos; a Biblioteca Municipal e a Casa da Candinha também estão inoperantes.
A Prefeitura afirma que a recuperação dos equipamentos é prioridade, que os estudos técnicos já foram concluídos e que os procedimentos administrativos estão em andamento.