Inpe recebe R$ 147,6 milhões para IA que detecta desmatamento em todos os biomas
Projeto SIM‑Biomas unirá Prodes e Deter, ampliará alertas e elevará resolução de queimadas de 1 km para 30 m

O Inpe vai receber R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para o projeto SIM‑Biomas, que usa inteligência artificial contra o desmatamento (anúncio nesta sexta‑feira, 16).
O principal objetivo é integrar Prodes e Deter para produzir dados com mais frequência e alertas com a precisão do Prodes e a velocidade do Deter.
O Inpe, responsável pela taxa oficial de desmatamento e pelos alertas usados na fiscalização e nos inventários do Acordo de Paris, expandirá o monitoramento diário para Caatinga, Mata Atlântica e Pampa, além de Amazônia, Cerrado e Pantanal.
Mapas de queimadas vão passar de resolução de 1 km para 30 metros em todo o país, permitindo identificar com precisão a trajetória e a extensão do fogo.
O projeto criará um Subsistema de Inteligência Territorial que cruzará dados de desmatamento, degradação e recuperação com informações fundiárias, socioeconômicas e climáticas para gerar indicadores de risco de curto prazo por bacia hidrográfica ou terra indígena.
Haverá sobrevoos para medir CO₂, CH₄, N₂O e CO e comparar amostras com estimativas derivadas das mudanças na vegetação; também serão produzidos mapas atualizados de biomassa e carbono da Amazônia e do Cerrado.
O Inpe vai lançar a nova plataforma pública TerraBrasilis++, reunir mapas, alertas e a Sala de Cenários, reforçar processamento e o Brazil Data Cube, e disponibilizar softwares e métodos abertos, disse o diretor Antônio Miguel Vieira Monteiro.
Se as entregas ocorrerem no prazo, o país terá até o fim da década um sistema capaz de medir perda de vegetação em quase tempo real e indicar onde o risco tende a aumentar.
O Inpe informou que nos últimos anos enfrentou cortes orçamentários: em 2021 recebeu R$ 79 milhões, o menor valor desde 2006, e sofreu pressão pública em 2019 quando o então presidente Jair Bolsonaro questionou os dados, resultando na demissão do diretor Ricardo Galvão.