Mais de 20 milhões se declararam pretos ou pardos; representatividade eleitoral ainda é menor
49,9% dos candidatos são negros, mas vagas conquistadas e acesso a recursos seguem desiguais

Mais de 20 milhões de eleitores se declararam pretos ou pardos este ano, o maior número já registrado no cadastro eleitoral.
Pretos e pardos são 55,5% da população, segundo o Censo de 2022 do IBGE, mas a proporção não se repete entre eleitos.
Negros representam 49,9% dos candidatos nas eleições, porém entre os eleitos em 2020 apenas pouco mais de 6% eram negros.
Em 2020 cerca de 32% dos prefeitos eleitos se autodeclararam negros, cerca de 1,7 mil prefeitos; ainda assim 53,56% dos candidatos eleitos naquele ano eram brancos.
Entre candidatas em 2024, apenas 7,19% das mulheres negras assumiram mandatos após a eleição.
Em 2020 o Tribunal Superior Eleitoral determinou a distribuição de recursos públicos e tempo de propaganda proporcional ao número de candidatos pretos e pardos, com reserva mínima de 30%, mas 80% dos partidos não cumpriram a medida.
"Você tem essa cota, mas você não tem um critério de distribuição dentro de cada partido das verbas", disse o professor João Feres, do IESP/UERJ.
Candidaturas quilombolas foram autorizadas apenas nas eleições municipais de 2024 por resolução do TSE.
Em 2024 elegeram-se 385 autodeclarados quilombolas: 17 prefeitos, 37 vice-prefeitos e 331 vereadores, entre eles 79 mulheres e 302 homens.
O Quilombo Sacopã, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro, conquistou a titulação em 2024, segundo seu líder Luiz Sacopã.
Bia Nunes, presidente da Associação das Comunidades Quilombolas do Rio de Janeiro, relatou ameaças a lideranças; ela mesma foi ameaçada e saiu de sua cidade por quatro meses em programa de proteção.
Jurandy Pacífico desistiu de concorrer a deputado federal na Bahia por motivos de segurança após assassinatos na família; a violência restringe novas candidaturas quilombolas.
Moradores entrevistados expressaram prioridades variadas: Evelyn Lopes citou políticas públicas como critério; Marcos Antônio Dionísio priorizou lealdade ao povo; Alex Natan defende mais negros no Congresso e um presidente negro no futuro.