Matrículas em licenciatura caíram 26% entre 2010 e 2021; vagas ficaram vazias
Das 2,8 milhões de vagas ofertadas em licenciatura em 2021, só 300 mil foram preenchidas; projeção indica falta de 235 mil docentes em 2040.
Matrículas em cursos de licenciatura caíram cerca de 26% entre 2010 e 2021; em 2021, 300 mil de 2,8 milhões de vagas foram preenchidas.
A projeção é que o país precisará de aproximadamente 235 mil docentes adicionais até 2040; o governo lançou o programa Pé-de-Meia Licenciaturas com bolsas mensais, mas o subsídio de mil reais mostra-se insuficiente frente às alternativas digitais.
Apenas 15% dos quase 4 milhões de ingressantes em cursos superiores escolheram licenciatura em 2021; mais de 50% dos matriculados abandonam a formação antes de concluí-la.
O rendimento médio do professor da educação básica com nível superior foi cerca de R$ 5.500 em 2024; a média da OCDE é praticamente o dobro.
Entre 2015 e 2024, o número de professores aumentou 8,26% enquanto as matrículas escolares caíram 8,55%, indicando envelhecimento da categoria.
A idade média dos docentes efetivos das redes estaduais beira 46 anos; o número de professores da educação básica com 50 anos ou mais cresceu 109% entre 2009 e 2021.
O Tribunal de Contas da União já apontava, em 2014, escassez de professores de física, química, sociologia e filosofia; a deficiência se agravou desde então.
No PISA 2022, o Brasil ficou em 65.º lugar em matemática entre 81 países, com 73% dos jovens de 15 anos em nível abaixo do básico.
26% — queda nas matrículas em licenciatura entre 2010 e 2021
2,8 milhões — vagas ofertadas em licenciatura em 2021
300 mil — vagas de licenciatura preenchidas em 2021
15% — parcela dos ingressantes que optou por licenciatura em 2021
>50% — taxa de abandono da formação em licenciatura
R$ 5.500 — rendimento médio do professor da educação básica com nível superior em 2024
235 mil — docentes adicionais estimados necessários até 2040
Anísio Teixeira escreveu em 1936: “Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias: a escola pública.”
Paulo Freire definiu ensinar como “criar possibilidades para a sua produção”; sem professor, afirmação e prática ficam comprometidas.
Os números deveriam ser debatidos de forma séria na campanha eleitoral; a urgência é definir políticas que atraiam e formem novos professores.