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Monumento de Niemeyer em Marabá foi destruído na madrugada de 22/9/1996

A peça foi doada por Oscar Niemeyer ao MST, inaugurada em 7 de setembro e demolida duas semanas depois; ninguém foi punido.

Redação POLITICA.SP22 de set. de 2026 · 00h326 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Monumento de Niemeyer em Marabá foi destruído na madrugada de 22/9/1996
Reprodução: operamundi.uol.com.br

Na madrugada de 22 de setembro de 1996, um grupo munido de picaretas e marretas destruiu o Monumento Eldorado Memória, em Marabá (PA).

Nenhum responsável foi punido e a polícia não abriu inquérito, apesar de haver um quartel do 4º Batalhão a menos de dois quilômetros do local.

O monumento foi doado por Oscar Niemeyer ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entregue em 8 de agosto de 1996 no Rio de Janeiro e inaugurado em Marabá no dia 7 de setembro de 1996, no entroncamento das rodovias BR-230 e BR-155, após uma marcha em memória do massacre.

A peça tinha quatro metros de altura, mostrava uma mão segurando um ancinho em alto relevo, dois olhos ao fundo e a inscrição "A terra também é nossa", seguida dos nomes das vítimas e de um poema de Pedro Tierra.

Latifundiários e lideranças reacionárias do Pará já haviam ameaçado a obra antes da instalação; duas semanas depois ela foi destruída na madrugada de 21 para 22 de setembro de 1996.

O monumento homenageava trabalhadores sem-teto mortos pela Polícia Militar no Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, quando policiais comandados pelo coronel Mário Colares Pantoja atacaram acampados na Curva do S, em Eldorado dos Carajás.

A ação policial deixou 21 camponeses mortos e mais de 60 feridos; a perícia constatou que ao menos 10 vítimas foram executadas a queima-roupa e outras sete morreram por golpes de foice e facão, com mutilações.

21 — número de mortos no Massacre de Eldorado dos Carajás

Mais de 60 — número de feridos no massacre

1.500 — camponeses que ocuparam a Fazenda Macaxeira em 1996

A inscrição no monumento responsabilizava pelo massacre o presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador do Pará Almir Gabriel e o Cel. Mário Colares Pantoja, registrando os nomes das vítimas e o poema que evoca Candelária, Carandiru, Corumbiara e Eldorado.