Moradores da Nova Kampala resistem a remoções da CDHU e pedem regularização
Mobilização ocorreu em 17; máquinas da CDHU fizeram novas remoções na manhã de 18 na Penha, zona leste de SP

Moradores da Nova Kampala enfrentam remoções da CDHU e exigem regularização fundiária para permanecer no bairro.
Cerca de 1.900 famílias já deixaram a Nova Kampala; aproximadamente 800 ainda permanecem, segundo levantamento comunitário que contabilizou cerca de 2.700 moradias.
Houve mobilização para discutir as remoções na quinta-feira (17) e, na manhã de sexta-feira (18), máquinas da CDHU executaram novas remoções na comunidade situada no distrito da Penha, zona leste de São Paulo.
A CDHU afirma haver contaminação do solo, inclusive por metano, e conduz plano de reassentamento voluntário envolvendo 1,8 mil famílias; mais de 1,2 mil mudanças já foram realizadas, o que representa 66,7% do total.
Moradores pedem acesso a estudos mais recentes sobre contaminação e reivindicam solução habitacional definitiva ou indenização; a CDHU ofereceu alternativas previstas na política habitacional do Estado, incluindo imóveis próximos à comunidade para manter vínculos locais.
Jaime Rodríguez, 41, costureiro peruano no Brasil há 18 anos, mora na Nova Kampala há nove anos com a esposa e dois filhos de 7 e 4 anos; ele fechou o comércio de venda de água mineral após a diminuição do movimento provocada pelas saídas das famílias.
Osmar Fiuza, 45, líder comunitário e marceneiro que chegou à comunidade em 2014, diz que a CDHU apresentou, em 2003, material sobre metano em pontos da área e que a comunidade não recebeu estudos atualizados.
1.900 — famílias que já saíram, segundo moradores
~800 — pessoas/famílias que permanecem na Nova Kampala
2.700 — moradias computadas pela assembleia comunitária
1,8 mil — famílias incluídas no plano de reassentamento da CDHU
1,2 mil — mudanças já realizadas (66,7%)
R$ 2,4 mil — caução prevista pelo plano da CDHU
R$ 800 — auxílio-moradia mensal previsto pela CDHU
~100 mil — previsão de passageiros diários na futura estação Gabriela Mistral
6,2 km e 5 estações — segunda fase da expansão da Linha 2‑Verde; trecho adicional Vila Prudente–Penha tem 8,3 km e 8 estações
"Agora vê a comunidade: toda destruída, cheia de entulho. Dá muita tristeza, dá dor no coração", disse Jaime ao descrever casas demolidas e entulho espalhado.
A CDHU prevê construir um conjunto habitacional no terreno após a desocupação, ceder área para a futura estação Gabriela Mistral da Linha 2‑Verde e manter equipes no local para orientar e acompanhar o reassentamento.